Os mercados operaram de olho em um alívio geopolítico externo nesta sexta-feira, 12. Nesta tarde, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que um acordo sobre o texto final do tratado de paz entre os Estados Unidos e o Irã foi alcançado. Islamabad é o principal mediador das negociações. Pouco antes, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que um acordo “nunca esteve tão próximo”.
A possível liberação do fluxo no Estreito de Ormuz contribuiu também para o alívio nos preços do petróleo. O barril de petróleo brent caiu mais de 4% hoje e voltou à cotação de 86 dólares. A queda, por outro lado, impacta negativamente as ações da Petrobras (PETR4), que têm grande peso para a bolsa brasileira e tiveram desvalorização de 1,39%.
O ambiente internacional foi sustentado ainda pela notícia do maior IPO da história. A SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk, definiu um preço por ação de 135 dólares na noite da véspera. Com o valor, a empresa alcança uma avaliação de mercado de 1,77 trilhão de dólares. “O bom momento do setor de tecnologia, com a forte demanda em torno do IPO da SpaceX, ajudou a elevar o apetite por risco global”, afirma Rafael Pastorello, portfólio manager do banco Sofisa.
Mesmo assim, o Ibovespa teve leve queda de 0,21% neste pregão. A explicação está, para além das baixas nos papéis da Petrobras, no cenário econômico brasileiro. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi divulgado hoje e veio acima do esperado por especialistas. A inflação oficial avançou 0,58% em maio, uma desaceleração na comparação com abril, quando o índice ficou em 0,67%.
Para Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, quando os alimentos continuam liderando as altas na inflação e o acumulado de 12 meses segue pressionado, fica evidente que o Brasil ainda enfrenta um ambiente inflacionário bastante desconfortável. “Isso é somado a um quadro fiscal que continua deteriorado e que impede qualquer discussão mais otimista sobre política monetária. A expectativa de uma queda consistente da taxa Selic parece cada vez mais distante”, comenta.
Já o dólar registrou queda e ficou cotado a 5 reais, acompanhando a melhora do apetite por risco dos investidores. “A combinação entre um ambiente externo menos defensivo e a perspectiva de juros domésticos elevados são vetores positivos para o fortalecimento do real, embora a volatilidade permaneça diante da incerteza sobre a conclusão efetiva do acordo no Oriente Médio”, explica Bruno Shahini, analista de investimentos da Nomad.
Os fatos que mexem no bolso são o destaque da análise no programa Mercado:
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