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Como o cérebro humano processa dois idiomas? – 18/06/2026 – Ciência

Há muito tempo, neurocientistas trabalham com a hipótese de que pessoas bilíngues processam diferentes idiomas com padrões separados de atividade cerebral. Um novo estudo indica que esses padrões são mais semelhantes do que se esperava.

Ao decidirem como colocar uma palavra no singular ou no plural, por exemplo, bilíngues exibem atividade cerebral surpreendentemente similar, independentemente de estarem falando em um idioma ou outro.

“Não era óbvio que seria tão compartilhado”, disse a psicóloga e neurocientista Esti Blanco-Elorrieta, da Universidade de Nova York (Estados Unidos), uma das autoras do estudo publicado na última segunda-feira (15) na revista JNeurosci. “Esta é, sem dúvida, uma das primeiras descobertas mais detalhadas sobre quão verdadeiramente integrados dois idiomas estão no cérebro.”

Pesquisas iniciais viam o bilinguismo como um acréscimo ou perturbação ao processamento da língua nativa, de acordo com a psicolinguista Judith Kroll, da Universidade da Califórnia em Irvine, que não participou do novo estudo.

Estudos subsequentes descobriram que cérebros bilíngues tendem a apresentar diferenças físicas, como substância branca mais eficiente e alterações na substância cinzenta, além de ter melhor desempenho em tarefas de memória e concentração.

Agora os cientistas investigam mais a fundo para entender se aspectos centrais da rede neural do cérebro desempenham função dupla ou tripla para processar múltiplos idiomas.

A equipe de pesquisa de Blanco-Elorrieta colocou 23 falantes de espanhol e inglês em um scanner de magnetoencefalografia e monitorou a atividade cerebral deles enquanto transformavam palavras em singular ou plural.

Enquanto estavam deitados no scanner, os participantes viam a palavra a ser modificada. Em seguida, ouviam um comando para colocar a palavra no singular, outro para usá-la no plural ou um terceiro para simplesmente repeti-la sem nenhuma alteração.

O scanner registrou imagens da atividade cerebral milissegundo a milissegundo antes, durante e depois de cada um desses momentos.

A equipe de pesquisa descobriu que os padrões de atividade cerebral eram praticamente os mesmos, independentemente de os participantes bilíngues olharem para palavras em espanhol ou em inglês.

O mais importante é que isso se mostrou verdadeiro mesmo quando as palavras não tinham um cognato na outra língua —como “táxi”, que tem o mesmo significado em espanhol e inglês. O padrão se manteve até para “pseudopalavras” que soavam como palavras em espanhol ou inglês, mas não tinham nenhum significado real.

“Isso torna mais difícil explicar o efeito como simplesmente um reflexo de vocabulário compartilhado e sugere que o cérebro pode estar representando a própria operação gramatical”, afirmou Blanco-Elorrieta.

A descoberta está alinhada com outros resultados iniciais nessa área, segundo Mirjana Bozic, neurocientista cognitiva da Universidade de Cambridge que não participou do estudo.

Por exemplo, a nova pesquisa forneceu evidências adicionais de que o lado frontal esquerdo do cérebro estava tipicamente envolvido no processamento da estrutura gramatical de frases em diferentes idiomas.

De modo geral, afirmou Blanco-Elorrieta em um comunicado à imprensa, um único “motor gramatical” no cérebro parecia capaz de operar múltiplas línguas ao mesmo tempo.

Bozic disse que a descoberta, embora não surpreendente, foi “altamente informativa, fornecendo evidências convincentes de que falantes bilíngues dependem de mecanismos neurais compartilhados”. A neurocientista acrescentou: “Uma questão que permanece é até que ponto essas descobertas se generalizam para pares de idiomas que diferem de forma mais substancial”.

Nesse sentido, a equipe de Blanco-Elorrieta espera estudar os padrões de atividade cerebral por trás de outros processos gramaticais e linguísticos, como decifrar a sintaxe de frases ou identificar a variedade de objetos que podem ser referidos por um único termo, e em idiomas muito diferentes entre si.

“O cérebro é muito mais plástico do que pensávamos”, disse Kroll.

Fonte: Link da fonte

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