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Cometa interestelar 3I/Atlas pode ter 12 bilhões de anos – 23/06/2026 – Ciência

O cometa interestelar 3I/Atlas pode ter se formado há cerca de 10 a 12 bilhões de anos e sua composição é diferente de tudo o que já se viu no Sistema Solar. As conclusões constam de um estudo que saiu nesta segunda-feira (22) na revista Nature.

O objeto é provavelmente o mais antigo, de que se tem registro, a passar pelo nosso sistema, de acordo com o cientista planetário e astroquímico Martin Cordiner, do Centro de Voo Espacial Goddard da Nasa em Greenbelt, Maryland (Estados Unidos). Ele é um dos autores da nova pesquisa.

Segundo o estudo, o 3I/Atlas parece ter nascido em um ambiente muito mais frio –menos 243 graus Celsius– do que aquele em que a Terra e outros corpos do nosso sistema se formaram há cerca de 4,5 bilhões de anos.

O objeto, de 2,6 km de diâmetro, percorreu uma vasta distância desde que foi de alguma forma expulso de seu sistema planetário de origem.

“Nunca vimos antes um objeto como o 3I/Atlas”, disse Cordiner.

Os pesquisadores mediram a proporção de isótopos –diferentes versões de elementos químicos como hidrogênio e carbono– observados no cometa com o uso do Telescópio Espacial James Webb.

Os isótopos de hidrogênio ofereceram evidências sobre a temperatura e a radiação no ambiente em que o 3I/Atlas se formou. As proporções de isótopos de carbono deram pistas acerca da composição da nuvem de gás interestelar que deu origem ao corpo celeste e ao seu sistema planetário de origem.

A água do cometa continha cerca de 30 vezes mais deutério —um isótopo de hidrogênio— do que outros cometas do Sistema Solar. Suas proporções de isótopos de carbono diferiam daquelas observadas em objetos do nosso sistema e em nuvens interestelares e discos de material formadores de planetas ao redor de estrelas recém-nascidas relativamente próximas.

Cordiner afirmou que o 3I/Atlas provavelmente é um fragmento remanescente do processo de formação planetária ao redor de outra estrela.

“Nossas observações do telescópio James Webb nos dizem que o ambiente de formação planetária do sistema hospedeiro do 3I/Atlas era distinto do Sistema Solar. Provavelmente era mais frio e menos rico em metais, além de ser mais intensamente irradiado por raios UV e cósmicos”, disse Cordiner.

O 3I/Atlas é rico em moléculas orgânicas, incluindo aquelas que contêm carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e enxofre. Isso, segundo Cordiner, “mostra que, apesar de uma origem fria e distante, os elementos voláteis para a vida como a conhecemos eram abundantes nesse disco distante de formação planetária”.

A composição de carbono indicou que o 3I/Atlas se formou há cerca de 12 bilhões de anos, durante um período de intensa formação estelar em sua região. O Universo começou com o Big Bang há aproximadamente 13,8 bilhões de anos.

Os pesquisadores disseram acreditar que o cometa se formou na Via Láctea, mas, com base em sua idade, não descartam uma origem em outra galáxia.

“Eu imaginava que as distâncias intergalácticas fossem vastas demais, mas, na verdade, um objeto interestelar rápido poderia levar apenas um bilhão de anos para chegar aqui vindo de nossas vizinhas galácticas mais próximas, as Nuvens de Magalhães”, afirmou Cordiner.

O 3I/Atlas pode ter sido arremessado de seu sistema planetário de origem devido a interações gravitacionais com planetas, embora uma colisão de algum tipo também seja considerada uma possibilidade.

Os outros dois objetos interestelares observados anteriormente atravessando o sistema solar foram os cometas 1I/’Oumuamua, detectado em 2017, e 2I/Borisov, descoberto em 2019.

O 3I/Atlas agora se aproxima da órbita de Saturno, depois deve passar além da órbita de Plutão em 2029 e, por fim, sair da fronteira externa do Sistema Solar por volta de 2035.

Os cientistas estão confiantes de que o 3I/Atlas é um objeto natural, apesar da propagação de teorias da conspiração o associando a naves alienígenas.

“Embora bons cientistas sempre permaneçam abertos a atualizar seu entendimento, temos muito cuidado ao avaliar as evidências para cada hipótese”, disse Cordiner. “Neste caso, as evidências foram claras desde um estágio muito inicial de que estávamos observando um objeto semelhante a um cometa, e com o tempo essa interpretação foi confirmada por observações subsequentes.”

Fonte: Link da fonte

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