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Universo ainda está se expandindo em ritmo acelerado – 23/06/2026 – Ciência

Ao analisarem com um novo olhar dados envolvendo um tipo específico de explosão estelar, pesquisadores anunciaram ter confirmado a noção há muito aceita de que o Universo está se expandindo em ritmo acelerado.

O resultado do novo estudo difere do de uma pesquisa publicada No ano passado que concluiu que a expansão cósmica não estaria mais acelerando.

“O Universo ainda está acelerando”, afirmou o astrofísico Brodie Popovic, da Universidade de Southampton (Inglaterra), um dos líderes do estudo que saiu no dia 10 deste mês na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. “Há muito que não sabemos e estamos animados para aprender, mas achamos que estamos no caminho certo.”

A descoberta da equipe, que conta com dois ganhadores do Prêmio Nobel, baseou-se em dois conjuntos de dados diferentes de um tipo de explosão estelar chamada supernova do Tipo Ia, utilizada para calcular vastas distâncias cósmicas. Essas supernovas causam a destruição de um objeto chamado anã branca, o remanescente de uma estrela de massa baixa a intermediária no fim de seu ciclo de vida.

Esse tipo de supernova se mostra valioso na investigação da estrutura do Universo porque essas explosões têm aproximadamente a mesma luminosidade. O brilho observado muda dependendo da distância da Terra, o que as torna úteis como marcos cósmicos de distância.

Ao medirem o brilho dessas supernovas vistas da Terra, os cientistas conseguem calcular a taxa de expansão do Universo e a variação dessa taxa ao longo do tempo. Devido ao tempo que a luz leva para viajar pelo espaço, observar objetos distantes no Cosmos é como olhar para o passado.

O evento do Big Bang, há aproximadamente 13,8 bilhões de anos, deu origem ao Universo, que vem se expandindo desde então. Em 1998, cientistas revelaram que essa expansão está acelerando, tendo uma força invisível chamada energia escura como a razão hipotética.

O Universo reúne matéria comum —estrelas, planetas, gás e poeira, por exemplo—, matéria escura e energia escura. A comum representa 5% do conteúdo total. A escura, conhecida por suas influências gravitacionais sobre galáxias e estrelas, 27%. E a energia escura, 68%.

Os autores do estudo de 2025, que também saiu na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, concluíram que a energia escura está enfraquecendo e parou de acelerar a expansão do Universo.

“As supernovas do tipo Ia são a principal ferramenta para medir a história da expansão do Universo e forneceram a primeira evidência, em 1998, de que a expansão cósmica está acelerando devido à energia escura”, afirmou o astrofísico Adam Riess, da Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos), coautor do novo estudo e ganhador do Nobel de Física em 2011 pela codescoberta da expansão acelerada do Universo.

“Na última década, um grupo da Universidade Yonsei argumentou que as distâncias das supernovas deveriam ser calibradas de forma diferente, levando em conta a idade das estrelas que no fim explodem, e que esse ‘efeito da idade’ poderia alterar substancialmente as evidências da aceleração. Em nosso estudo, não encontramos nenhuma evidência do alegado ‘efeito da idade’ nas maiores amostras calibradas de supernovas utilizadas pela comunidade cosmológica na última década”, explicou o astrofísico.

Young-Wook Lee, da Universidade Yonsei (Coreia do Sul), foi um dos líderes do estudo de 2025. O astrofísico defendeu as descobertas da equipe dele e disse que os principais argumentos apresentados pelos pesquisadores no novo estudo têm “falhas metodológicas graves ou levam a conclusões que são internamente inconsistentes por sua própria lógica”.

Já os pesquisadores do novo estudo expressaram confiança na metodologia e nas conclusões que confirmam a aceleração.

A natureza física da energia escura permanece desconhecida. Plataformas como o recém-inaugurado Observatório Vera Rubin, no Chile, e o futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, com lançamento previsto para agosto, podem fornecer algumas respostas.

“Esperamos que os novos dados que obtivermos do Vera Rubin e do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman nos ajudem a entender melhor o que a energia escura é”, afirmou Popovic.

Fonte: Link da fonte

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