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Ebola: origem do vírus Bundibugyo ainda é um mistério – 26/06/2026 – Ciência

Desde abril, um surto de ebola na República Democrática do Congo já soma mais de mil casos confirmados e 279 mortes, tornando-se a terceira maior epidemia desde que a doença foi identificada há 50 anos.

Além de seu tamanho preocupante, o atual surto está envolto em um mistério em relação às suas origens.

A causa é um patógeno pouco conhecido chamado vírus Bundibugyo, 1 das 3 espécies virais conhecidas por causar a doença do ebola.

Cientistas dizem acreditar que o vírus normalmente habita animais, saltando a barreira entre espécies ocasionalmente e tornando-se capaz de provocar surtos em humanos.

No entanto, após anos de busca, ainda não se obteve informações sobre onde o vírus se esconde quando não causa infecções em humanos.

“Não sabemos absolutamente nada sobre o Bundibugyo”, afirmou a ecóloga Mekala Sundaram, da Universidade da Geórgia (EUA).

O vírus Bundibugyo pode muito bem desencadear mais surtos no futuro; preveni-los depende em parte de saber onde o patógeno se esconde. O mesmo vale para outros vírus que causam ebola —e também para outros vírus relacionados que ainda não deram esse primeiro salto para os humanos.

A doença do ebola foi descoberta em 1976. Houve um surto no antigo Zaire, hoje República Democrática do Congo, e outro onde é hoje o Sudão do Sul. Os sintomas da doença eram em grande parte os mesmos nos dois lugares: febres, vômitos, sangramentos e, para a maioria das vítimas, morte.

Em ambos os surtos, os cientistas encontraram vírus semelhantes, em formato de cobra, no sangue das vítimas. Eles pertenciam à mesma família de vírus, chamada filovírus. Um exame mais detalhado apontou que os dois vírus pertenciam a espécies distintas. Hoje são conhecidos como vírus Ebola e vírus Sudão.

De forma confusa, os cientistas se referem à espécie que apareceu primeiro no Zaire como vírus Ebola, embora seus parentes, vírus Sudão e vírus Bundibugyo, também causem a doença do ebola.

Se os surtos de 1976 não estavam ligados, então os vírus provavelmente saltaram de algum animal desconhecido para suas primeiras vítimas humanas independentemente, pensaram os cientistas. Equipes internacionais iniciaram uma busca por esses chamados reservatórios zoonóticos —as espécies animais capazes de abrigar os vírus.

Eles examinaram morcegos insetívoros —alimentam-se de insetos— que se abrigavam em uma fábrica de tecidos de algodão onde a primeira vítima registrada do vírus Sudão havia trabalhado. Investigaram ratos, percevejos, mosquitos e uma série de outras espécies.

No final, não detectaram sinal dos dois vírus em nenhum animal nas proximidades dos dois pontos de surtos.

Nas décadas que se seguiram, os pesquisadores encontraram pistas, porém nada que apontasse definitivamente para um reservatório animal.

Em 1996, por exemplo, cientistas na África do Sul e nos Estados Unidos injetaram o vírus Ebola em 19 espécies, incluindo aranhas e tartarugas. O vírus não conseguiu infectar a maioria dos animais, exceto três espécies de morcegos, nas quais ele se multiplicou em níveis altos, mas sem deixá-los doentes.

Foram identificados sinais do vírus Ebola em morcegos na natureza. Uma baixa porcentagem de morcegos frugívoros —alimentam-se— em toda a África carrega anticorpos contra o vírus. Em alguns casos, os pesquisadores até descobriram fragmentos genéticos do vírus em seu sangue.

Entretanto, “isso não é o mesmo que provar um reservatório”, disse o ecólogo Sadic Waswa Babyesiza, curador do museu da Universidade Makerere (Uganda).

Os métodos tradicionais para localizar um reservatório animal podem falhar quando se trata do vírus Ebola, ressaltou Sundaram. Ele pode se esconder dentro de pessoas por anos, permanecendo escondido em lugares como os olhos e o sêmen, de acordo com cientistas.

Pessoas com infecções persistentes podem às vezes desencadear novos surtos anos depois. Ninguém sabe se os morcegos frugívoros também desenvolvem infecções persistentes. Contudo, caso desenvolvam, procurar o vírus no sangue deles será inútil.

“Os testes tradicionais não vão detectar o vírus escondido nesses pequenos bolsões”, disse Sundaram.

Ainda segundo a especialista da Universidade da Geórgia, os morcegos frugívoros persistentemente infectados podem transmitir o vírus a outros quando se reúnem em enormes grupos para se alimentar. Espécimes infectados podem liberar o vírus na saliva e nas fezes, e árvores frutíferas podem se tornar pontos críticos onde o vírus se espalha para outras espécies, incluindo humanos.

A maior parte dessa pesquisa foi feita sobre o vírus Ebola, que apareceu primeiro no Zaire e causou mais mortes nos últimos 50 anos. Evidências sólidas de reservatórios para outros vírus que causam a doença do ebola são praticamente inexistentes.

Cientistas examinaram dezenas de milhares de animais de centenas de espécies sem encontrar nenhum sinal claro do vírus Sudão ou do vírus Bundibugyo. E eles alertam contra presumir que os morcegos frugívoros são hospedeiros.

Uma espécie relacionada descoberta em 2018, o vírus Bombali, foi encontrada não em morcegos frugívoros, mas em morcegos insetívoros. Não há evidências, até agora, de que esse vírus tenha saltado para humanos.

Mesmo que morcegos frugívoros ou insetívoros sejam reservatórios para esses vírus, os cientistas também estão considerando a possibilidade de que eles sejam apenas parte de uma rede ecológica maior de animais que transmitem os patógenos entre si, uma rede que é em grande parte desconhecida.

Fonte: Link da fonte

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