Novas análises serão necessárias para determinar se os ossos encontrados em uma igreja na cidade de Maastricht, na Holanda, pertencem de fato ao mosqueteiro D’Artagnan, o militar francês que inspirou o romance “Os Três Mosqueteiros” e que morreu há mais de 350 anos. A informação foi divulgada nesta quinta (2) por autoridades locais.
A descoberta dos ossos foi divulgada em março deste ano.
Após meses de especulações e reportagens que apontaram investigações mal conduzidas, a Prefeitura de Maastricht afirmou que a descoberta dos resíduos e os resultados das primeiras análises levam a mais questões.
“As características do esqueleto coincidem com o que se conhece historicamente sobre D’Artagnan, mas não são suficientemente precisas para permitir uma identificação definitiva”, declararam as autoridades.
“Por enquanto, a verdadeira origem do esqueleto e as circunstâncias da morte permanecem obscuras. Pesquisas adicionais poderão revelar se uma peça autêntica da história foi descoberta –ou não”, afirmaram as autoridades municipais.
De acordo com a pesquisa, o esqueleto encontrado era de um homem com idade estimada entre 44 e 66 anos, uma faixa que inclui d’Artagnan, que tinha 62 anos quando foi morto.
No entanto, não foi possível datar os ossos para determinar quando o homem havia morrido.
Além disso, a análise sugeriu que o homem seguia uma dieta rica em peixe, mais típica do leste ou do sul da Europa do que da Gasconha, no sudoeste da França, onde d’Artagnan nasceu.
“Isso levanta a questão de se tal dieta era comum entre os mosqueteiros católicos da França no século 17”, afirmaram os pesquisadores em um comunicado.
Charles de Batz de Castelmore, conhecido como D’Artagnan, o famoso mosqueteiro dos reis Luís 13 e Luís 14, passou sua vida a serviço da coroa francesa.
Ele inspirou o herói de Alexandre Dumas em “Os Três Mosqueteiros” no século 19, personagem hoje conhecido graças ao romance e às inúmeras adaptações cinematográficas.
O militar foi morto durante o cerco de Maastricht, em junho de 1673. O local onde seu corpo foi enterrado permanece um mistério desde então.
Complicações na escavação
Os pesquisadores afirmaram que a investigação foi prejudicada pelas ações de um arqueólogo aposentado que começou a escavar o túmulo sob o piso da igreja sem autorização.
Muitas informações valiosas foram perdidas durante o trabalho, já que ele provavelmente danificou o crânio do esqueleto e não documentou seu trabalho de acordo com os padrões, tornando impossível datar o túmulo, disseram eles.
O arqueólogo Wim Dijkman foi obrigado a interromper seu trabalho quando a igreja descobriu que ele não tinha a autorização adequada. A partir daí, uma equipe profissional assumiu a escavação.
Em entrevista ao programa de TV holandês Nieuwsuur em maio, Dijkman disse que não havia informado as autoridades porque queria receber o crédito pela descoberta.
Ele também admitiu ter guardado vários ossos em uma caixa de plástico no galpão de seu jardim e só tê-los devolvido às autoridades competentes quando a polícia lhe ordenou que o fizesse.
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