O risco de ‘blackout’ na transição tributária

A transição da reforma tributária acendeu um alerta no varejo e no setor de serviços. Entidades como Alshop e Abrasel passaram a circular nos gabinetes da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado notas técnicas que apontam risco de um “apagão tecnológico” caso o governo mantenha a exigência de destaque individualizado da CBS e do IBS nas notas fiscais eletrônicas ainda em 2026.

O temor está na capacidade dos sistemas de ERP, de faturamento e de integração com as Sefaz estaduais de suportar, em ambiente real, a nova lógica operacional da reforma. O ponto mais sensível é o split payment, que prevê a retenção automática do imposto no momento da transação — uma engrenagem que, segundo o setor privado, ainda não estaria pronta para rodar em escala nos horários de pico do comércio.

Nos bastidores da CAE, senadores já discutem uma espécie de moratória de multas até dezembro de 2026. A ideia é evitar que empresas sejam punidas por falhas sistêmicas durante o período de testes ou, em casos de instabilidade, permitir que sigam emitindo documentos no modelo atual.

A Fazenda resiste. A equipe econômica quer os dados-piloto rodando em ambiente real para calibrar a alíquota padrão que valerá a partir de 2027. Para o governo, afrouxar o teste agora pode comprometer o cronograma da reforma. Para o varejo, insistir no modelo sem uma rede de proteção pode transformar a largada do novo sistema em um segundo semestre de instabilidade operacional e custo elevado de conformidade.

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