‘Moana’ é remake feio, sem graça e avesso à criatividade

Em outros tempos, bastava um espetáculo de parque de diversão ou alguma sequência medíocre para que a sede de dinheiro dos produtores fosse aplacada após mais um sucesso da Disney. Hoje, o ritual não é mais íntegro, mas muito mais caro. Feito com um orçamento estimado em mais de 200 milhões de dólares, o remake Moana chega às salas de cinema nesta quarta-feira, 8, apenas uma década após a estreia do original e dois anos após o fraco Moana 2, com nenhuma razão de ser além da recriação meticulosa daquela animação que faturou ao redor do globo e transformou How Far I’ll Go em hit chiclete. Hollywood, enfim, sequer finge prezar por algum rastro de criatividade.

A história, então, permanece exatamente a mesma. Moana (Catherine Laga’aia) é uma jovem obstinada e ambiciosa, que sonha em ir além dos recifes que cercam sua ilha natal na Polinésia, apesar dos alertas do pai. Quando os peixes somem das águas e os coqueiros não dão mais frutos, porém, não há protesto que impeça a garota de embarcar em uma aventura para restaurar o coração perdido da deusa Te Fiti com a ajuda do semideus Maui — cujo dublador original, Dwayne ‘The Rock’ Johson, agora assume o papel por completo, além de ser um dos principais produtores do projeto.

A partir daí, o espectador que conhece o filme original já sabe o que esperar. Números musicais, figurinos, boa parte do elenco e até mesmo a presença do galo Hey-Hey operam da exata mesma maneira, mas despidos da animação deslumbrante que os fazia funcionar. O animal de estimação, em especial, se transforma em uma criatura grotesca feita de computação gráfica, jamais capaz de provocar gargalhadas — assim como o caranguejo gigante Tamatoa, outra aberração.

No lugar dos elementos essenciais ao longa de 2016, estão atores excessivamente polidos — jamais suados, sujos ou cansados, eternamente sorridentes como astros de sitcoms do Disney Channel —, cenários artificiais, uma iluminação constantemente chapada e efeitos especiais tão pouco convincentes quanto a peruca ou os músculos prostéticos de The Rock. Presa em déjà vu, nem mesmo a novata Catherine Laga’aia, de 19 anos, é capaz de brilhar como pretendido no papel principal. Desse jeito, Moana não vai muito longe.

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