O Google queimou caixa no segundo trimestre pela primeira vez em décadas, à medida que os gastos colossais em infraestrutura de inteligência artificial transformaram rapidamente o grupo de um negócio com poucos ativos em um intensivo em capital.
A empresa informou que o fluxo de caixa livre no período de três meses encerrado em junho ficou negativo em US$ 5,9 bilhões em meio à farra de gastos com data centers e outros equipamentos de IA, muito mais do que os analistas esperavam.
Ainda assim, os investimentos em IA estão impulsionando a aceleração das receitas em sua unidade de nuvem, que registrou crescimento de 82% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 24,8 bilhões no período.
O crescimento elevou a receita total para US$ 120 bilhões, ante US$ 96,4 bilhões um ano atrás, superando a estimativa média dos analistas de US$ 117 bilhões, informou a Alphabet, dona do Google, nesta quarta-feira (22).
Sundar Pichai, CEO do Google, disse aos investidores que o segundo trimestre “foi um trimestre incrível” e elogiou a “abordagem diferenciada e completa da empresa em relação à IA”.
O Google elevou em abril sua previsão de gastos de capital para o ano para até US$ 190 bilhões e disse que o valor subiria ainda mais em 2027. O grupo informou que o capex do segundo trimestre subiu para US$ 44,9 bilhões.
O lucro líquido quadruplicou para US$ 112 bilhões, superando as expectativas dos analistas de US$ 35,6 bilhões, segundo dados da Visible Alpha, beneficiado por ganhos nos investimentos do Google, que incluem participação na SpaceX. O lucro operacional, que não inclui ganhos com investimentos, subiu 30% para US$ 40,8 bilhões, com a margem operacional expandindo para 34%.
O Google ganhou terreno na corrida da IA graças a uma estratégia “full-stack”, que combina seus próprios chips, data centers, modelos de fronteira e produtos para consumidores. A empresa está sob pressão para lançar seu mais recente modelo principal, enquanto OpenAI, Anthropic e concorrentes na China anunciam avanços técnicos.
Antes, a empresa financiava esses investimentos com o caixa gerado pelas buscas, mas as contas crescentes começaram a pressionar suas finanças. A Alphabet assumiu dezenas de bilhões em dívidas e, em junho, buscou levantar cerca de US$ 85 bilhões em sua primeira venda de ações em mais de duas décadas —uma reviravolta acentuada após anos recomprando suas próprias ações.
Fonte: Link da fonte














