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Asteroide recebe nome do jornalista Salvador Nogueira – 24/09/2025 – Ciência

O jornalista e colunista da Folha Salvador Nogueira recebeu uma homenagem e seu nome passa a batizar um asteroide descoberto em julho de 2016. O reconhecimento foi oficializado na segunda-feira (22) por um grupo de trabalho da IAU (União Astronômica Internacional, em português).

Após a descoberta, os astrônomos precisaram de alguns anos para mapear a órbita do corpo celeste, explica o descobridor e sócio-diretor do Observatório Sonear de Minas Gerais, Cristóvão Jacques. No começo deste ano, porém, concluíram que o objeto pertence ao Cinturão Principal —entre Marte e Júpiter—, abrindo caminho para o batismo.

Como praxe, Jacques foi o responsável por escolher o nome do asteroide. O reconhecimento ao jornalista valoriza a importância de traduzir temas complexos da ciência para o público leigo, explica ele. “É um cara muito talentoso em escrever sobre temas técnicos de forma palatável”, diz.

“A atividade dele é importante porque mostra o que a ciência faz pela humanidade. Muitas vezes, há picaretagem [sobre informações de que asteroides podem colidir com a Terra]. Isso assusta as pessoas. Informação correta dá credibilidade à pesquisa e aproxima a ciência do público”, conclui.

Nogueira conta que, ao descobrir da homenagem, chorou. “Eu, que desde menino sou apaixonado pelo céu, que dediquei praticamente minha carreira inteira a partilhar esse amor pela astronomia e pela exploração do espaço, agora tenho um pedacinho de céu que leva meu nome”, comemora o jornalista.

“Tenho uma gratidão enorme pelo Cristóvão Jacques, que propôs a homenagem, pela IAU, que aceitou a proposta, e por esta Folha, que já por tantos anos me acolhe nessa jornada pessoal e profissional e me possibilita compartilhar um pouco da minha paixão pela ciência. Estou feliz”, conclui.

Ele vê a homenagem como reconhecimento do papel da imprensa na divulgação científica. “Vivemos numa sociedade profundamente dependente de ciência e tecnologia que quase nada sabe sobre ciência e tecnologia. Essa é a receita para o desastre, e o jornalismo científico tem esse duplo papel de não só vigiar a própria prática científica (atividade humana e portanto falível como todos nós) como também promover a compreensão de como a ciência funciona.”

“Todas as confusões recentes com hesitação vacinal, crise climática e o movimento anticiência mostram que o jornalismo científico tem hoje um papel crucial a cumprir.”

Nogueira publicou 13 livros. Nascido em 1979, o jornalista mantém coluna semanal neste jornal há 10 anos ininterruptos. A trajetória na Folha começou em 2000, na editoria de Ciência.

Fonte: Link da fonte

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