O ex-ministro Fernando Haddad (PT), candidato ao Governo de São Paulo, criticou neste domingo (26) a fala do presidente argentino, Javier Milei, em tom irônico, sugeriu “despachar” o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao exterior para defender as urnas eletrônicas brasileiras.
O jornal americano The Washington Post revelou na última sexta-feira (24) que o presidente Donald Trump planejava mandar auxiliares para lançar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro. O Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado americano que viajariam ao Brasil nos próximos dias.
Questionado sobre se teme uma interferência estrangeira nas eleições brasileiras, Haddad chamou o caso de provocação barata. “O mundo inteiro inveja o sistema eleitoral brasileiro. Até Tarcísio, que é bolsonarista, andou elogiando”, disse, completando que, se houver alguma dúvida, “a gente pode despachar Tarcísio para lá para explicar para ele como é que funciona.”
Sobre Milei, que neste sábado (25) chamou ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de “lixo careca” durante convenção do PL em São Paulo, o ex-ministro classificou o comportamento de “incompatível com a relação entre os dois países” e disse que esse tipo de “desrespeito institucional” não pode ser naturalizado.
As declarações foram dadas na convenção estadual da federação composta por PSOL e Rede Sustentabilidade para confirmar a candidatura da ex-ministra Marina Silva ao Senado em uma chapa com o petista, o ex-ministro Márcio França (PSB) e a ex-ministra Simone Tebet (PSB).
Expoentes do PSOL, o ministro da Secretaria-Geral do governo Lula, Guilherme Boulos, e a deputada federal Erika Hilton (SP) não estiveram presentes por questão de agenda, segundo o partido.
Ambos protagonizaram brigas recentes dentro da sigla. No início do ano, a legenda rejeitou uma federação com o PT para as eleições deste ano, uma ideia apoiada por Boulos. O deputado chegou a discutir com aliados deixar o partido. Outra entusiasta da ideia era Erika Hilton.
Mais recentemente, a deputada acusou o PSOL de descumprir um acordo para a distribuição do fundo eleitoral.
Haddad e Marina assumiram o protagonismo no evento realizado no hotel Leques Brasil, localizado na região da Liberdade, em São Paulo, em um auditório com capacidade para 300 pessoas.
Indagada sobre as ausências, Marina disse que Boulos estava em agenda com o presidente —algo confirmado pela assessoria do ministro—, mas que todos estão conectados com o projeto da candidatura ao Senado.
“Obviamente que seria muito bom se nós pudéssemos todos estar em todos os lugares, mas não temos o dom da onipresença”, disse ela.
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