Fóssil preserva órgão de réptil de 245 milhões de anos – 30/07/2026 – Ciência

Cientistas descobriram na China um fóssil de um réptil marinho de 245 milhões de anos atrás. Bem preservado, o material revela o estômago, o fígado e o intestino do animal, proporcionando uma visão sem precedentes da anatomia interna de répteis antes da Era dos Dinossauros.

Os detalhes sobre o Austronaga minuta estão descritos em um artigo que saiu nesta quinta-feira (29) na revista Science Advances. Os restos do espécime estavam em uma área na província de Yunnan, no sul do país.

A análise do fóssil indica que o animal tinha em torno de 60 cm de comprimento, uma cabeça relativamente pequena e um focinho estreito repleto de dentes semelhantes a presas —ideais para capturar peixes escorregadios. O pescoço e o tronco eram longos, assim como a cauda. As nadadeiras dianteiras eram grandes e as traseiras, menores.

O animal parece ter sido um nadador ágil, usando sobretudo a cauda para propulsão e as nadadeiras dianteiras para direção. Ele era parente próximo de uma linhagem de répteis chamada arcossauros, que inclui crocodilos, dinossauros e pterossauros.

A maior parte do esqueleto manteve os ossos na posição em que a criatura estaria em vida. Mas o que torna esse fóssil particularmente interessante é a preservação dos órgãos internos, algo raro, mostrando o sistema gastrointestinal completo.

“Até onde sabemos, esse representa o trato digestivo bem preservado mais antigo de qualquer réptil”, disse o paleontólogo Stephan Spiekman, do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart e da Universidade de Hohenheim, na Alemanha. Ele é um dos autores do novo estudo.

O A. minuta tinha um estômago em forma de saco com uma única câmara, diferente das câmaras duplas presentes em aves, crocodilos e certos dinossauros. Isso significa que o espécime possuía uma estrutura mais simples, com um único compartimento para a digestão.

Atrás do estômago estava o fígado do animal, o órgão que processa nutrientes, equilibra a energia e filtra resíduos, ainda mantendo sua cor vermelha.

“O mais surpreendente é o aspecto de preservação, o fato de que resíduos de hemoglobina, com teores elevados de ferro, ainda puderam ser distinguidos em um fóssil de 245 milhões de anos”, afirmou o paleontólogo.

A hemoglobina é uma proteína presente nos glóbulos vermelhos que transporta oxigênio dos pulmões para o resto do corpo e leva o dióxido de carbono de volta. Ela dá ao sangue sua cor vermelha devido ao ferro presente na proteína.

Na parte de trás do fígado havia um longo tubo formando os intestinos delgado e grosso, indicando que a estrutura do sistema digestivo era simples.

“O formato do intestino em particular corresponde ao que esperaríamos de um réptil predador, que tem um intestino muito mais simples do que um herbívoro, já que carne —incluindo peixe— é mais fácil de digerir do que plantas”, explicou Spiekman.

“Vemos intestinos mais complexos, mais longos e mais dobrados sobre si mesmos em arcossauros posteriores, incluindo dinossauros, enquanto no A. minuta vemos principalmente um tubo reto.”

Havia restos de alimentos identificáveis —escamas de peixe — no intestino do espécime.

Os pesquisadores não sabem se o fóssil encontrado era de um adulto. “Não temos certeza se esse animal estava totalmente crescido no momento da morte, então é possível que a espécie pudesse ficar maior. Mas provavelmente era um pequeno réptil marinho”, afirmou Spiekman.

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