Dario Durigan tem apresentado ao mercado financeiro um ajuste fiscal que ainda não recebeu o aval de Lula. A redução de 2,5% para 1,5% do teto de crescimento real das despesas foi discutida com bancos como uma proposta para um eventual quarto mandato, mas não como compromisso autorizado pelo presidente.
O custo político da medida está no salário mínimo. Pela legislação atual, até 2030, o ganho real do piso nacional fica limitado pelas mesmas bandas do arcabouço fiscal. Se o teto cair para 1,5%, portanto, o reajuste real do mínimo também poderá encolher.
Pelas projeções oficiais, o salário mínimo chegaria a R$ 1.717 em 2027 com ganho real de 2,5%. Sob o teto defendido por Durigan, ficaria próximo de R$ 1.700 — diferença de cerca de R$ 17 mensais para trabalhadores, aposentados e beneficiários do BPC. Para o governo, a mudança produziria economia superior a R$ 7 bilhões ao ano.
A redução também retiraria aproximadamente R$ 25 bilhões do limite geral de despesas já em 2027. Ao longo de quatro anos, caso ambos os tetos fossem integralmente utilizados, a diferença acumulada poderia se aproximar de R$ 258 bilhões, em valores constantes.
O desenho colide com o programa elaborado sob a coordenação de Sergio Gabrielli, que defende maior valorização do salário mínimo, fortalecimento dos bancos públicos, preservação dos pisos constitucionais e ampliação dos investimentos. Lula colocou Durigan, Bruno Moretti e Esther Dweck para revisar o texto e arbitrar a distância entre o que o PT deseja prometer e o que a Fazenda considera financiável.
A tendência é que o número de 1,5% não apareça no programa a ser protocolado em agosto. A campanha deve recorrer a uma formulação genérica sobre estabilizar a dívida e fortalecer o arcabouço sem retirar direitos. Durigan poderá continuar oferecendo austeridade ao mercado desde que Lula não precise anunciá-la aos eleitores.
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