Uefa volta a criticar Infantino após Fifa abandonar plano – 01/08/2026 – Esporte

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, não conseguiu acalmar os ânimos em torno de sua posição, apesar de ter descartado um plano que permitiria investimento privado na Copa do Mundo.

A Uefa, órgão dirigente do futebol europeu, liderou a oposição ao plano —ameaçando boicotar todas as competições da Fifa. Embora tenha saudado a retirada da proposta, a entidade afirmou que Infantino perdeu a confiança dela e de outros membros da família do futebol devido ao seu “acordo obscuro, de bastidores e pouco transparente”.

A reação da Uefa veio horas depois de Infantino —cujo caminho anteriormente tranquilo para a reeleição sem oposição para um último mandato no próximo ano está sendo abertamente questionado— ter divulgado um comunicado anunciando o recuo humilhante, após uma reação extremamente negativa desde que o plano foi revelado na terça-feira.

“Nosso objetivo sempre foi —e sempre será— unir e melhorar”, disse Infantino em um comunicado.

“Como resultado, esta proposta não seguirá adiante.”

A Fifa, entidade máxima do futebol mundial, havia apresentado o plano afirmando que poderia arrecadar até US$ 4,2 bilhões com base em uma avaliação de US$ 20 bilhões para uma nova empresa, a FFE (Fifa Forward Enterprise) —uma subsidiária comercial proposta para gerir eventos como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.

A entidade informou que, se aprovado, o projeto poderia proporcionar a cada uma das 211 associações-membro da Fifa um pagamento único de US$ 20 milhões no início de 2027 e aumentar a alocação de recursos para o ciclo 2027-2030 de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões.

A Uefa não poupou palavras ao responsabilizar Infantino pelo fiasco, ocorrido menos de duas semanas após ele desfrutar do sucesso de uma Copa do Mundo muito bem-sucedida —a primeira com 48 seleções e sediada em três países.

“A atual liderança da Fifa não perdeu apenas a confiança da Uefa, mas também a de muitos outros membros da família do futebol”, dizia o comunicado. A Uefa afirmou que o ítalo-suíço, de 56 anos, descumpriu promessas feitas quando buscou sua primeira eleição com sucesso em 2016 — especificamente, a de ser “transparente” e a de que o dinheiro da Fifa era “o dinheiro de vocês (as associações-membro)” e “não o dinheiro do presidente da Fifa”.

“Ele não cumpriu nenhuma dessas duas promessas”, declarou a Uefa. “O acordo obscuro, articulado nos bastidores e que ele tentou impor à força, estava longe de ser transparente. E, com reservas superiores a US$ 5 bilhões, ele também falhou em utilizar o dinheiro das associações em benefício do esporte.”

A AFC (Confederação Asiática de Futebol), que representa 47 nações-membro, havia usado uma linguagem menos direta ao também saudar a retirada do plano.

Qualquer iniciativa que possa impactar o futebol mundial deve ser “apresentada e discutida com as Confederações, o Conselho da Fifa, as Associações-Membro e outras partes interessadas de maneira oportuna, transparente e significativa”, afirmou em comunicado a entidade sediada em Kuala Lumpur.

“Interesse comum”

Essas duas entidades poderosas tiveram a companhia da federação da América do Norte e do Caribe (Concacaf) —que inclui os três coanfitriões da Copa do Mundo: Estados Unidos, Canadá e México— na condenação da medida.

A confederação sul-americana Conmebol, cujo presidente Alejandro Domínguez é considerado um aliado próximo de Infantino, exigiu mais informações sobre o “escopo, estrutura, governança e possíveis efeitos” do projeto.

A CAF (Confederação Africana de Futebol) havia instado seus membros a analisarem o plano, mas a reunião planejada para a próxima semana sobre a proposta tornou-se agora desnecessária.

A pressão sobre Infantino havia aumentado na sexta-feira com a renúncia do conselheiro sênior Carlos Cordeiro, que classificou a ideia como “um mau negócio para as associações-membro da Fifa, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro a longo prazo do esporte”.

No comunicado que anunciava o fim do plano, Infantino disse que o projeto foi concebido como um meio de fortalecer as associações-membro e que só teria avançado se contasse com o apoio da maioria.

“Após ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões de tal natureza que, independentemente do nível de apoio, já não atendem ao objetivo estabelecido inicialmente”, disse ele.

Sob pressão, Infantino afirmou que se concentraria em restaurar a harmonia enquanto continua a promover o crescimento do esporte.

“Daqui para a frente, minha intenção é reunir novamente todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, com um espírito de interesse comum pelo nosso esporte e com o objetivo de continuar fazendo o futebol crescer em toda parte, particularmente naqueles países que mais precisam do nosso apoio”, disse ele.

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