O Itaú (ITUB4) deve apresentar um lucro líquido recorrente entre 12,3 bilhões e 12,7 bilhões de reais no segundo trimestre de 2026, segundo estimativas de analistas consultados por VEJA Negócios. A expectativa é de mais um trimestre sólido, reforçando a estratégia de gestão de risco e a qualidade dos ativos do banco. O Itaú divulga seus resultados nesta terça-feira, 4, após o fechamento do mercado.
Para os analistas da Ágora Investimentos e do Bradesco BBI, os resultados da tesouraria devem permanecer praticamente estáveis em relação ao trimestre anterior, enquanto a margem com clientes deve crescer 2% no período. A margem financeira líquida tende a ficar estável, e a carteira de crédito deve apresentar expansão de 7,6% na comparação anual.
“Além disso, as provisões devem aumentar em linha com o crescimento da carteira, uma vez que a qualidade dos ativos permanece sob controle”, afirmam Marcelo Mizrahi, do Bradesco BBI, e Renato Chanes, da Ágora Investimentos, em relatório assinado em conjunto.
Diante desse cenário, a Ágora tem a projeção mais conservadora para o banco, com lucro do Itaú chegando a 12,3 bilhões de reais. A corretora também estima uma leve alta da inadimplência, de 1,9% no segundo trimestre de 2025 para 2% no mesmo período de 2026, avanço de 0,1 ponto percentual em um ano. As provisões para devedores duvidosos, por sua vez, devem crescer 6,7%, para 10 bilhões de reais, ritmo inferior à expansão projetada de 7,6% da carteira de crédito.
O BTG Pactual, por outro lado, apresenta a estimativa mais otimista entre as instituições consultadas. Os analistas do banco projetam lucro de 12,7 bilhões de reais para o Itaú no segundo trimestre de 2026, sustentado pela estratégia do Itaú de ampliar a participação de ativos considerados mais resilientes em sua carteira de crédito ao longo dos últimos anos.
A equipe do Citi também espera mais um resultado do Itaú robusto. Segundo os analistas, o balanço do Itaú no 2T26 deve continuar demonstrando resiliência, com catalisadores mais fortes previstos para o segundo semestre de 2026. A mesma avaliação aparece nas projeções da XP Investimentos.
Para a XP, o banco deve registrar crescimento da carteira de crédito impulsionado pelas operações com pequenas e médias empresas (PMEs) e pela expansão contínua do crédito consignado, especialmente no segmento privado.
“O principal destaque do trimestre deve ser uma receita de tarifas mais fraca, refletindo a menor atividade no mercado de capitais, taxas de performance mais baixas e crescimento limitado das receitas de serviços”, afirmam Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, autores do relatório da XP.
Apesar disso, a corretora avalia que esse impacto será amplamente compensado pelo controle rigoroso de custos. Segundo os analistas, a trajetória de queda das despesas operacionais ao longo do ano, combinada a uma alíquota efetiva de impostos menor, deve sustentar mais um trimestre de resultados sólidos.
A XP estima que o lucro do Itaú alcance 12,4 bilhões de reais no segundo trimestre de 2026, alta de 7,7% em relação ao mesmo período do ano passado. A corretora também projeta retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) de 24,3%, avanço de 0,9 ponto percentual na comparação anual.
Em resumo, o consenso do mercado é de que o Itaú (ITUB4) entregará mais um balanço sólido, refletindo a disciplina na gestão de risco e a qualidade da carteira de crédito, mesmo em um ambiente marcado por juros elevados e inadimplência ainda pressionada entre as famílias.
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