TikTok prepara financeira para assumir crédito de compras no Brasil

 

O TikTok está preparando o terreno para financiar diretamente as compras feitas dentro do TikTok Shop no Brasil. A ByteDance, dona da plataforma, criou uma empresa financeira no país e busca no Banco Central autorização para conceder crédito com recursos próprios. Enquanto o aval não vem, o grupo já colocou em operação o TikTok Parcelado, produto que permite dividir compras em até 12 vezes.

Hoje, os empréstimos são formalmente concedidos pela QI Sociedade de Crédito Direto, instituição autorizada pelo Banco Central. A Pipo Brasil, empresa do ecossistema da ByteDance, atua como intermediária da operação. É ela que coleta dados dos clientes, faz uma análise preliminar de risco, administra a interface do produto e apresenta ao consumidor a proposta de crédito da QI.

A estrutura, no entanto, já foi desenhada para permitir uma mudança de mãos. Nos termos do TikTok Parcelado que entraram em vigor em julho, o consumidor concorda expressamente que as operações de crédito possam ser delegadas, subcontratadas e até prestadas por afiliadas do próprio TikTok. A cláusula cria a avenida contratual para que uma empresa do grupo passe a conceder o financiamento hoje fornecido pela QI.

Há também uma peça societária que ajuda a revelar o plano. Além da Pipo Brasil Instituição de Pagamento, a ByteDance constituiu no país a PIPO Brasil Fintech Ltda., uma empresa separada, controlada pela PIPO Fintech, de Singapura. O movimento ocorre enquanto o grupo tenta obter justamente a licença necessária para atuar diretamente no crédito brasileiro.

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Em março, a Reuters revelou que o TikTok apresentou ao Banco Central pedidos para duas autorizações. Uma delas permite atuar como emissor de moeda eletrônica. A outra é para funcionar como Sociedade de Crédito Direto, a SCD, modelo regulatório que permite a uma fintech emprestar recursos próprios sem captar depósitos do público.

Desde então, o projeto saiu do papel. O TikTok Parcelado entrou em operação em julho e os termos do serviço mostram que a ByteDance já ocupa uma posição central no fluxo financeiro. Quando uma compra financiada é aprovada, o consumidor emite uma Cédula de Crédito Bancário em favor da QI. Os recursos são então transferidos à ByteDance Brasil, que faz a liquidação da venda para o lojista. A Pipo ainda pode cobrar do vendedor uma taxa própria, o MDR, sobre cada transação financiada.

O controle exercido pela Pipo vai além do processamento. Os documentos do TikTok estabelecem que o limite disponibilizado ao consumidor pode ser revisto pela empresa e volta a ficar disponível à medida que as parcelas são quitadas. A companhia também concentra a interface do produto e o primeiro atendimento aos clientes do parcelado.

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O desenho brasileiro encontra precedente dentro do próprio grupo. Na Malásia, a ByteDance já oferece o TikTok PayLater por meio da PIPO Fintech local. O produto permite parcelar compras no TikTok Shop em até 12 meses e é fornecido diretamente pela empresa financeira ligada ao grupo.

Com uma licença de SCD no Brasil, a ByteDance teria condições regulatórias de avançar na mesma direção. Em vez de depender de uma instituição financeira parceira para originar o crédito, poderia colocar uma empresa do próprio grupo em uma das etapas mais valiosas da operação do TikTok Shop: o financiamento do consumidor.

O movimento acrescenta uma nova dimensão à disputa do TikTok com Mercado Livre, Shopee e outros gigantes do comércio eletrônico. A plataforma entrou no Brasil apoiada em sua enorme audiência e na capacidade de transformar vídeos e transmissões ao vivo em vendas. Agora começa a construir também as engrenagens financeiras necessárias para capturar uma parcela maior do dinheiro que circula em cada compra.

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