Rafael Lazarini quer realizar um megaevento sobre inovação, cultura e empreendedorismo que não seja sobre dinheiro. Ele afirma desejar conectar pessoas e focar nas relações humanas na primeira edição do SP2B, que vai acontecer em São Paulo, a partir deste domingo (9).
O fundador diz que o festival vai além de palestrantes conhecidos. Tem uma ideia central. Mas um sinal de que o humano é prioridade é a palestrante de abertura: a psicoterapeuta e escritora belga Esther Perel, especialista em relacionamentos, sexualidade e comunicação nas relações humanas. Ele também quis realizar o evento em um local que fosse além de um centro de convenções. Vai acontecer no Parque do Ibirapuera.
Como o SP2B vê a relação entre tecnologia, criatividade e empreendedorismo? Um elemento fundamental para inovar é a criatividade. Mas uma boa ideia na cabeça é só uma boa ideia. Você precisa de outro componente, que é a ação, o movimento. Isso, na nossa visão, é o conceito de empreendedorismo. A gente olha o empreendedorismo muito mais como uma atitude. A etimologia da palavra empreender é “tomar para si”. Então é muito mais uma atitude do que, necessariamente, abrir um CNPJ. Entendíamos que esse outro ingrediente fundamental no processo de inovação merecia um projeto que falasse especificamente disso.
Um diferencial é ter uma ideia central, em vez de simplesmente reunir nomes de peso? O nome do palestrante é o último elemento. Partimos desse conceito inicial e vamos desdobrando esse conceito de empreendedorismo na era digital em territórios. Por último, vêm os palestrantes. Obviamente, temos grandes nomes, como a própria Esther Perel, nossa palestrante de abertura, mas o grande diferencial está, de fato, nessas conversas muito curadas, muito pensadas.
Como surgiu a ideia de usar o Parque do Ibirapuera? O projeto vem com uma visão de longo prazo, de ocupar aquele lugar no calendário para trazer pessoas de todo o mundo nessa construção. Ocupar o parque traz uma reversão da expectativa: você vai para São Paulo, uma cidade superpopulosa, verticalizada, e vai para um dos parques urbanos mais bonitos do mundo, com prédios desenhados por Niemeyer. Isso cria essa sensação de conectividade com a cidade.
O que fica para SP em termos de investimentos, geração de negócios e infraestrutura? Não necessariamente você tem resultado só no impacto direto, seja econômico na cidade, com ocupação hoteleira, turismo de negócios; seja um impacto de imagem, de retorno de mídia. Existe também um impacto intangível, que não acontece naquele momento, que é a quantidade de negócios que surgem a partir do evento.
Qual é a métrica de sucesso para um evento como esse? Esse tipo de evento não tem uma métrica única para definir sucesso. Há uma paleta de indicadores. Obviamente, o público é um deles, mas a qualidade do público é muito relevante. Essa é a nossa visão de longo prazo: o evento vira um grande catalisador, começa a ter uma série de coisas acontecendo ao redor dele, e estimulamos muito isso. Quando falamos de credenciados, a expectativa é de 5.000 pessoas por dia, mas o impacto geral do evento é da ordem de 500 mil pessoas.
O sr. citou Esther Perel, que vai abrir o evento, uma escolha que foge do óbvio. O que isso diz sobre o tipo de conversa que querem provocar? Falar de inovação do ponto de vista do humano. A nossa visão é sempre colocar o humano no centro, seja como agente indutor da inovação, seja como o ser, no final, impactado por esses processos, por essas inovações. Entendemos que nada melhor do que dar a largada da programação deste ano com um dos grandes nomes, a grande autoridade quando o assunto é relações humanas.
Qual foi o maior risco que vocês tiveram ao se propor a viabilizar esse formato, de oito dias, ao ar livre, ocupando o principal parque de São Paulo? De fato, é um desafio enorme, porque foge do óbvio. Isso sempre exige um esforço de comunicação maior. Essa curva de aprendizado não tem um atalho fácil. Conseguimos acelerar isso de alguma forma, mas as pessoas vão entender estando lá.
Raio-X
Rafael Lazarini, 53
1972, Brasília
Especializado em gestão de mídia e entretenimento pela UCLA, em Los Angeles, nos EUA. Tem mestrado em gestão de entretenimento pela USC, em South Carolina, também nos EUA. COO da Live Nation Entertainment, é fundador e e CEO da Da20, empresa responsável pelo Rio2C, considerado o maior encontro de criatividade da América Latina.
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