Quem circula pelos bairros mais nobres de São Paulo certamente já se perguntou: existe comprador para tantos empreendimentos de alto padrão que estão surgindo? A resposta talvez esteja em olhar para além dos limites da própria cidade.
São Paulo se consolidou como o grande mercado imobiliário de reserva de valor do Brasil. E quem compra um imóvel na capital não é necessariamente paulistano. Em alguns dos principais lançamentos de alto padrão, compradores de fora do estado já chegam a representar cerca de 50% dos negócios.
Parte dessa demanda vem do interior do Brasil, inclusive de empresários e famílias ligadas ao agronegócio, que enxergam nos bairros mais valorizados da cidade uma oportunidade de preservar e ampliar patrimônio.
É um movimento semelhante ao de mercados como Nova York e Paris. Um imóvel bem localizado, com arquitetura, padrão construtivo e liquidez reconhecidos, passa a ser visto não apenas como moradia, mas como ativo patrimonial.
Para esse comprador, ter um imóvel em São Paulo pode ser um ponto de apoio na cidade, alternativa de renda, proteção patrimonial ou diversificação dos investimentos. O estrangeiro também faz parte desse mercado. Entre janeiro e setembro de 2024, estrangeiros investiram R$ 283,2 milhões em imóveis no Brasil. São Paulo recebeu R$ 56,4 milhões.
Existe ainda outro fator: fora da capital, é mais difícil encontrar produtos realmente “AAA” em localizações consolidadas. Há bons imóveis em diversas cidades brasileiras, mas são mais raros aqueles que reúnem localização premium, escassez de terrenos, qualidade construtiva, serviços, infraestrutura e liquidez.
Essa escassez ajuda a explicar por que bairros de São Paulo continuam atraindo capital mesmo diante da quantidade de lançamentos. Talvez a pergunta, portanto, não seja se São Paulo tem compradores para tantos imóveis, mas quantos desses compradores estão, de fato, na cidade.
O mercado recebe recursos da capital, do interior, do agronegócio, de outros estados e também do exterior. Ou seja, quando se olha para o alto padrão paulistano, o mercado potencial é muito maior do que São Paulo.
Fonte: Roberto Coelho da Fonseca
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