A missão chinesa Chang’e-7, cujo objetivo é procurar água no polo sul da Lua, não será mais lançada neste ano. O adiamento resulta de uma “avaliação abrangente”, informou neste domingo (23) a agência estatal de notícias Xinhua.
A Chang’e-7 “não reúne as condições necessárias para o lançamento e, portanto, não poderá ser realizada dentro da janela de lançamento prevista para este ano”, disse a Xinhua, citando autoridades do país.
O lançamento da missão era previsto para este domingo, com a decolagem do foguete Longa Marcha 5 a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Wenchang, na província de Hainan.
O foguete levaria ao espaço um orbitador, um pousador, um rover e um saltador (uma espécie de pequena sonda-foguete), além de uma série de instrumentos científicos, como analisadores de água, câmeras e radares.
O plano era descer nos arredores da cratera Shackleton, uma depressão permanentemente mergulhada na sombra. A borda irregular da cratera, no entanto, é iluminada pela luz solar quase continuamente.
Cientistas dizem acreditar que crateras na região do polo sul lunar possam preservar água e compostos orgânicos voláteis. Segundo a Nasa, as temperaturas podem cair a até 203 graus Celsius negativos em algumas dessas áreas sombreadas.
Encontrar água acessível é crucial para futuras bases lunares, pois poderia fornecer água potável e oxigênio para os astronautas, além de servir como matéria-prima para combustível de foguetes, reduzindo a necessidade de dispendiosas missões de reabastecimento a partir da Terra.
Diferentemente da maior parte do satélite, onde uma noite lunar dura até 14 dias terrestres, os picos elevados e as bordas das crateras próximas ao polo sul recebem luz solar quase constante e seriam um local ideal para um posto avançado lunar, com um clima térmico relativamente estável e fornecimento contínuo de energia solar.
Por enquanto, apenas a Índia conseguiu pousar nas proximidades do polo sul lunar, com a Chandrayaan-3, em 2023.
A Chang’e-7 representa um passo importante no plano de Pequim de estabelecer uma presença humana permanente na Lua. Os dados coletados nessa missão e na sua sucessora, a Chang’e-8, prevista para 2029, serão cruciais para a tentativa de um pouso, com astronautas, até 2030.
A ambição da China de levar humanos à Lua e construir uma base avançada perto do polo sul coincide com a dos EUA. O programa Artemis, da Nasa, pretende levar astronautas ao satélite até 2028 e também estabelecer, nos próximos anos, uma presença contínua no solo lunar
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