É razoável esperar maior taxa de reeleição em 2026 – 24/08/2026 – Voto a Voto

Qual será a taxa de reeleição dos deputados federais? Esse é um dos grandes debates deste ano. Afinal, além de definir a composição partidária da Câmara dos Deputados, atualizando restrições e possibilidades de aprovação de leis e políticas públicas, o voto para deputado federal determina o acesso dos partidos políticos aos fundos partidário e eleitoral, suas principais fontes de financiamento.

Em média, entre as eleições de 2002 e 2022, a taxa de reeleição foi de 51,7%, renovando quase a metade da Câmara. Em 2022, por exemplo, 82,7% dos deputados se recandidataram; como 66,5% tiveram sucesso na tentativa, a taxa ficou em 55%.

Neste ano, dados da Câmara apontam que 437 deputados (85,2% do total de 513) vão tentar a reeleição. Portanto, para estimar a taxa de reeleição, faltaria apenas saber qual será o percentual de sucesso desses candidatos.

Na média desde 2002, o percentual de sucesso ficou em 69,3%. Quatro fatores, porém, podem elevá-lo neste ano. O primeiro é o aumento do valor das emendas parlamentares ao Orçamento federal: de cerca de R$ 16 milhões para R$ 40 milhões por deputado desde a última eleição.

O segundo fator é a alta taxa de reeleição dos prefeitos em 2024 (82%, ante média de 57,2% desde 2004), que tende a manter acordos entre prefeitos e os atuais deputados, geralmente sustentados pelo envio de emendas em troca de apoio eleitoral.

O terceiro é a redução no número de candidatos nas listas partidárias. Antes o número de candidatos por chapa era de 1,5 vez o número de vagas; agora é o número de vagas + 1. Em São Paulo, por exemplo, os partidos podiam lançar até 105 candidatos para as 70 vagas; agora, apenas 71. As derrotas de deputados em busca de reeleição tendem a ocorrer dentro do próprio partido, quando o deputado não consegue votos suficientes para estar entre os eleitos. Com menos candidatos, os deputados ganham mais controle sobre a dispersão de votos na lista, impedindo perdas inesperadas.

O último fator seria o possível aumento da abstenção eleitoral, que tenderia a favorecer candidatos com mais recursos para mobilizar seus eleitores para o voto.

Diante de todos esses fatores, é razoável esperar maior taxa de sucesso entre os que tentam a reeleição neste ano. Como exercício, se multiplicarmos o percentual de candidatos à reeleição (85,2%) neste ano pela maior taxa de sucesso registrada no período (74,4%, em 2014), chegaríamos a uma taxa de reeleição de 63,7% — bem acima da média histórica de 51,7%–, reduzindo as chances de renovação da Câmara.

Este artigo inaugura a coluna Voto a Voto no ciclo eleitoral de 2026, parceria entre o Centro de Política e Economia do Setor Público (CEPESP) da FGV e esta Folha. Em dez colunas, os pesquisadores do CEPESP vão analisar as eleições deste ano com dados do CEPESPDATA (cepesp.fgv.br/), plataforma de dados eleitorais e partidários.

Professor da FGV-Eaesp e coordenador do FGV-Cepesp (Centro de Política e Economia do Setor Público)


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