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Melhor da Semana: ‘Por Você’ acerta ao levantar debate sobre cotas

Desde que estreou, Por Você vem mostrando que uma novela das 7 da Globo, famosa pelo alívio cômico, também pode abordar assuntos de importância nacional. Um exemplo aconteceu em um capítulo da última semana, quando Sheron Menezzes e Alinne Moraes protagonizaram um dos confrontos mais tensos da trama até agora.

O que começa como mais uma troca de acusações entre mocinha e vilã ganha outra dimensão quando Vanessa, personagem de Alinne Moraes, recorre à origem social da rival para tentar diminuí-la. “A verdade é que você nunca passou de uma cotista. Você nunca vai deixar de ser filha da empregada”, dispara a megera.

A escolha e o tom dados ao texto foram certeiros porque transformam a palavra “cotista” em objeto de preconceito. Ao recorrer à expressão, a vilã associa a conquista de espaços a uma espécie de privilégio injusto, como se a médica (Sheron) não tivesse o direito de ocupar o lugar que alcançou. Neste momento, a novela de Dino Cantelli e Juliana Peres toca em uma discussão que ultrapassa a ficção e chega na real resistência às cotas e na ideia, ainda presente, de que pessoas beneficiadas por políticas de inclusão seriam menos qualificadas.

A reação de Bela vem à altura. Depois da provocação, a mocinha devolve com um tapa acompanhado de uma resposta afiada: “Ser cotista ou filha da empregada nunca me fez menor que ninguém”. Bela não nega sua origem nem trata a condição de cotista como algo a ser escondido. Pelo contrário, ela transforma aquilo que a vilã usa para humilhá-la em motivo de orgulho.

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A sequência ainda ganha força pela interpretação das duas atrizes e pela sonoplastia que conduz a tensão até o tapa. Por alguns instantes, Por Você assume a atmosfera de uma novela das 9, tanto pela intensidade do confronto, quanto pela relevância do tema. Ao levar uma discussão frequentemente associada à faixa das 9 para o horário das 7, a novela amplia o alcance de um debate que não deveria ficar restrito a uma única faixa de público. É um exemplo de como o entretenimento também pode provocar reflexão sem abrir mão do ritmo.

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Fonte: Link da fonte

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