Antes mesmo da picada na pele, o coração começa a bater rápido e um embrulho se forma no estômago. Tirar sangue ou tomar injeção pode ser uma experiência desagradável para muitas pessoas, sobretudo para quem tem medo de agulha.
Esse temor é comum entre pacientes, inclusive adultos, afirma Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectologista pediátrica e coordenadora de vacinas do grupo de laboratórios Dasa. “O senso comum acredita que é um medo predominantemente infantil, porque o adulto tende a falar menos sobre seus receios”, diz ela.
Uma revisão sistemática de 119 estudos conduzida na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, em 2019, identificou que a maioria das crianças tinha medo de agulha. Entre os adolescentes, o índice variava de 20% a 50% e, entre os adultos jovens, de 20% a 30%. A revisão notou ainda que o problema era mais prevalente em pessoas em tratamento.
Caso essa apreensão seja intensa e impeça a pessoa de fazer procedimentos de saúde, pode ser uma fobia de agulha, a tripanofobia.
Não existe uma explicação única para a origem do temor, diz Moraes-Pinto. Experiências negativas, como uma coleta difícil ou várias tentativas de punção, podem contribuir, pois fazem o paciente esperar que aquilo aconteça novamente. Se os pais demonstram desconforto ou dizem que “não vai doer nada” e a criança sente dor, ela pode perder a confiança, completa a médica.
Entre os efeitos, o paciente passa mal ou desmaia ao ver seringa ou sangue. “Isso acontece porque, diante desse estímulo, pode ocorrer uma queda súbita da pressão arterial e da frequência cardíaca”, diz a infectologista. A própria expectativa da dor pode provocar ansiedade.
Algumas estratégias, no entanto, podem ajudar a lidar melhor com o momento.
AVISE A EQUIPE MÉDICA
O primeiro passo é avisar os enfermeiros que você tem medo de agulha ou passou mal em procedimentos anteriores, diz Cida Aparecida do Nascimento, enfermeira do Instituto de Infectologia Emílio Ribas há 21 anos. Ela ressalta: não precisa ter vergonha.
Essa informação permite que o profissional adapte a posição, converse e dê mais tempo ao paciente, diz Moraes-Pinto. “Quando a pessoa se sente ouvida, entende o que vai acontecer e sabe que pode avisar se estiver passando mal, a experiência tende a ser mais tranquila.”
VÁ ACOMPANHADO
Se for possível, vá acompanhado na hora de tirar sangue, tomar injeção ou vacina. Um familiar ou amigo pode segurar a mão e dar apoio ao paciente, diz Nascimento.
NÃO FIQUE DE PÉ
Evite fazer o procedimento de pé. É possível realizá-lo sentado ou deitado, o que evita a queda de pressão e reduz o risco de desmaio e quedas, afirmam as especialistas. Ao terminar, espere alguns minutos antes de se levantar e deixar o local.
HIDRATE-SE
Se o exame não exigir jejum absoluto e permitir tomar água, mantenha-se hidratado. Isso ajuda na hora de puncionar as veias, pois elas estarão mais volumosas e aparentes, diz Nascimento. Isso também faz com que a coleta, que pode incluir vários tubos, seja mais rápida.
A enfermeira explica que, se o paciente tem pouca água no organismo, o volume do sangue diminui e se concentra nas áreas vitais do corpo. As partes periféricas, como os braços, ficam com fluxo menor. Além disso, as veias ficam mais sensíveis.
No caso de vacinas, que não exigem jejum, vá bem alimentado. Isso evita que a pressão baixe.
RELAXE
É difícil, mas tente relaxar. A tensão deixa a experiência mais desconfortável e pode atrapalhar no momento da picada. Ao tomar vacina, por exemplo, o ideal é deixar o braço relaxado, recomenda a infectologista do Dasa.
Se o paciente se mexer demais ou deixar o músculo rígido, pode-se formar um hematoma e a região pode ficar dolorida. Em coletas, talvez seja necessário fazer outra punção, diz a enfermeira do Emílio Ribas.
TENTE SE DISTRAIR
Tentar se distrair pode ajudar a relaxar. Respire, não olhe para a agulha e direcione sua atenção para outra coisa, recomendam as especialistas. Conversar, mexer no celular ou ouvir música são alternativas.
Para as crianças, aposte em recursos que tornem o momento mais lúdico, como brinquedos, músicas e vídeos. Alguns laboratórios oferecem dispositivos desenvolvidos para reduzir a percepção da dor, caso do Buzzy, que combina frio e vibração próximo ao local da aplicação.
FAÇA O EXAME EM CASA
Outra possibilidade é realizar a coleta em casa, caso a pessoa fique ansiosa ao local. Alguns laboratórios oferecem atendimento domiciliar. O ambiente familiar pode trazer mais conforto e ajudar a reduzir a ansiedade, diz a infectologista.
O medo pode levar pacientes a evitarem cuidados com a saúde. As especialistas alertam que é fundamental não deixar o problema impedir de fazer exames, tratamentos ou tomar vacinas.
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