São Paulo e Brasília
O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, um dos alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto, realizada nesta quinta-feira (24), que investiga um esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, é dono da empresa que teria sido utilizada por Daniel Vorcaro para enviar recursos que financiariam “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Conhecido como Mineiro, o dono da Entre Investimentos assinou em setembro deste ano um acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República).
Segundo a investigação da Polícia Federal, a Entre Investimentos e Participações funcionava como um braço operacional de Vorcaro, ajudando no repasse de recursos definidos pelo banqueiro. O empresário disse que era um dos responsáveis por fazer remessas financeiras e conseguir dinheiro vivo para Vorcaro. Esse dinheiro muitas vezes era entregue em malas, devido ao seu volume.
Antonio Carlos Freixo Junior, do grupo Entre
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grupoentre no Instagram
O dinheiro transferido pela Entre foi para o fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, que é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, segundo a investigação. O valor seria usado no financiamento do filme, mas as autoridades suspeitam que parte pode ter sido destinada a Eduardo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24) que os recursos enviados ao exterior pelo Grupo Entre para custear o filme podem ter origem em atividades de lavagem de dinheiro. “Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso”, respondeu o ministro ao ser questionado se a verba enviada ao exterior para o filme poderia ser fruto de lavagem de dinheiro.
O empresário, que foi o segundo a fechar delação sobre o Master na PGR, foi alvo de busca e apreensão em janeiro deste ano na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes financeiras no Master. Entre os alvos dessa etapa também estavam João Carlos Mansur, da Reag, e o investidor Nelson Tanure.
No dia 27 de março, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Entrepay Instituição de Pagamento S.A. e outras companhias integrantes do Grupo Entre, cujo CEO é Freixo Júnior.
O executivo tem trajetória ligada ao mercado financeiro. Em seu perfil profissional no LinkedIn, Freixo aponta passagens em instituições como Banco Nacional, Banco Garantia e Credit Suisse. Ao todo, são mais de 30 anos de experiência no mercado de capitais.
O executivo, a Entre Investimentos e empresas ligadas a Vorcaro são alvo de ação na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que trata de operações com cotas do fundo imobiliário Brazil Realty. Segundo a área técnica da CVM, haveria indícios de um esquema que combinava a superavaliação de ativos e a geração artificial de liquidez para permitir ganhos a partes relacionadas. Todos negam irregularidades.
Além disso, a Entrepay teve relação societária indireta com um ex-sócio de Vorcaro. A empresa foi sócia de Augusto Lima —que também integrou o quadro societário do Master— na Consiglog, companhia que atua no crédito consignado para servidores do governo da Bahia. Questionado em março, o Grupo Entre afirmou que não possui vínculo societário com Daniel Vorcaro ou com o Master. “A participação da Entre Investimentos na Consiglog foi minoritária e estritamente como investidora financeira, sem ingerência operacional ou estratégica”, disse a empresa à época.
A trajetória de Freixo no mercado financeiro começou cedo. Seu primeiro emprego foi no Banco Nacional, como office-boy, em uma agência localizada em Santa Rita do Sapucaí (MG), aos 14 anos. Foi contratado por um gerente que, anos antes, havia sido office-boy de seu avô, quando ele abriu o Banco Hipotecário em Pouso Alegre (MG), sua cidade natal, contou Freixo em entrevista ao MoneyPlay Podcast, em 2021.
Freixo cursou administração de empresas pela Faap (Fundação Armando Alvares Penteado). Na época, mudou-se para São Paulo e fez entrevistas com todos os sócios do Banco Garantia para conseguir uma vaga de estagiário.
Entrou como liquidante na instituição e foi galgando novos cargos até a instituição montar uma tesouraria internacional e obter o primeiro contato com ativos do banco fora do Brasil. Como não falava inglês na época, Freixo disse no podcast ter contratado um estagiário para ajudá-lo no contato com os clientes.
Entre seus principais feitos, Freixo destaca ter montado uma operação offshore do Garantia nas Bahamas. Com a compra do Garantia pelo Credit Suisse, o empresário continuou trabalhando no país caribenho. Em 2004, voltou a trabalhar no Brasil. Ficou no Credit Suisse até 2017, pouco antes de fundar o Grupo Entre.
Em 2022, Freixo criou a Entrepay, com foco em meios de pagamento. O modelo do negócio era B2B, ou seja, a empresa não vendia maquininha direto ao consumidor, mas fornecia infraestrutura para outras empresas oferecerem meios de pagamento..
Em 2024, a Entrepay movimentou R$ 12,8 bilhões em transações, uma alta de mais de 60% ante o ano anterior, segundo dados da própria companhia. A Receita Federal calcula o capital social da Entrepay em R$ 581 milhões.
Nos últimos anos, o empresário também ganhou notoriedade ao participar e vencer um leilão de recuperação judicial pelos ativos digitais da Editora Três, por R$ 15 milhões. Com isso, passou a controlar os portais IstoÉ e IstoÉ Dinheiro.
Em seu perfil profissional, Freixo diz ter diversificado seus negócios com a incorporação de empresas como a Leads Securitizadora, Pmovil, Wealth Money e Linked Gourmet.
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