O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira 16 que o governo avalia conceder crédito para as empresas que se sentirem prejudicadas pelo fim da escala 6×1 de trabalho – medida promulgada pelo Congresso hoje, após intensa pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca aumentar suas chances de reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), líder das pesquisas de intenção de voto no segundo turno previsto para 25 de outubro. Em entrevista à emissora de TV Bandeirantes, Durigan afirmou que “é possível que a gente faça, por exemplo, uma espécie de linha de crédito”.
Aprovado a toque de caixa por deputados e senadores, o fim da escala 6×1 é criticado duramente por setores econômicos que alertam para os riscos de aumento de custos que seriam repassados para o consumidor final. Segundo estimativas do Banco Inter, a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais que embasa a medida aprovada no Congresso pode impactar negativamente a produtividade da economia em 0,47%. Alguns setores, no entanto, sentirão efeitos bem maiores, de acordo com o banco. É o caso dos serviços de vigilância, cujos custos podem saltar 5,5%, e da área de saúde, com aumento previsto de 2% nos custos.
Na entrevista à Band, Durigan não detalhou como seria a compensação a estes e a outros setores, mas acrescentou que o governo já trabalha com “uma previsão de ter linhas de crédito específicas para essa transição, tanto da reforma tributária quanto do fim da jornada 6×1”.
O ministro, que foi alçado ao posto de porta-voz econômico da campanha de Lula à reeleição, minimizou as consequências da redução da jornada de trabalho para as empresas. Para Durigan, haverá uma “ônus minoritário” circunscrito a “alguns empresários”.
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