Itamaraty convoca diplomata de Milei após fuga de Flávio – 30/10/2026 – Mundo

O Itamaraty convocou nesta quinta-feira (29) a encarregada de negócios da Argentina em Brasília, María Emilia Cortés, para prestar esclarecimentos pela atuação do governo de Javier Milei na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O político, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais do último domingo (25), fugiu para os Estados Unidos na madrugada de quarta (28). Dois dias antes, ele havia sido notificado do cancelamento de seus passaportes pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

A convocação, revelada pelo UOL e confirmada à reportagem pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro, ocorreu pela participação do governo ultraliberal na fuga.

De acordo com a imprensa argentina, Santiago Caputo, estrategista político e braço direito de Milei, esteve em Puerto Iguazú para ajudar Flávio, e o transporte do senador teria sido auxiliado por uma camionete com chapa diplomática. Ao chegar aos EUA, o senador divulgou uma carta agradecendo o aliado pela “coragem, justiça e senso de legalidade”.

Segundo o funcionário, o embaixador brasileiro João Marcelo Galvão de Queiroz pediu informações sobre a passagem do senador pelo território argentino. Na linguagem da diplomacia, porém, a convocação é mais sobre o simbolismo de demonstrar descontentamento com outra nação.

As digitais do governo Milei na fuga causaram um terremoto político na Argentina. Após o site Infobae revelar que um jatinho aguardava o embarque de Flávio em Puerto Iguazú, uma enxurrada de versões sobre a viagem passou a circular na imprensa, e, no meio da tarde, aliados do senador afirmaram que ele já estava nos EUA, ainda que a aeronave permanecesse estacionada em solo argentino.

Durante todo o dia, o governo da Argentina negou que o aliado de Milei estivesse no país e evitou maiores questionamentos sobre o assunto.

A oposição da Argentina tem aproveitado o episódio para tentar sangrar o governo a um ano das eleições presidenciais nas quais Milei deve disputar a reeleição. Desde terça, deputados e senadores impulsionaram diversas iniciativas para pressionar a gestão, incluindo pedidos de esclarecimentos, convocações de ministros e até mesmo uma denúncia penal contra o ultraliberal, seu chanceler, Pablo Quirno, a ministra de Segurança, Alejandra Monteoliva, e Caputo.

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