NASA divulga mosaico formado por 1 milhão de imagens do espaço feitas pelo Swift

A NASA divulgou um mosaico formado por cerca de um milhão de imagens capturadas pelo observatório espacial Neil Gehrels Swift. O registro reúne pequena amostra da imensa quantidade de dados produzidos pelo equipamento ao longo de quase 22 anos de operação e oferece retrato visual de seu trabalho investigando alguns dos fenômenos mais energéticos do Universo.

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A imagem foi escolhida pela agência estadunidense para a edição desta sexta (6) do Astronomy Picture of the Day (Imagem Astronômica do Dia). O mosaico foi produzido em 2018, utilizando algumas das primeiras fotografias registradas pelo Telescópio Ultravioleta/Óptico do Swift.

Mais do que uma composição visual, o material representa parte do legado de um observatório que ajudou astrônomos a estudar explosões de raios gama, supernovas, buracos negros e outros eventos cósmicos.

A divulgação também ganhou significado especial porque o Swift encerrou sua missão na quarta-feira (4), quando reentrou na atmosfera terrestre após quase 22 anos no espaço.

O mosaico foi construído a partir de registros do telescópio ultravioleta/óptico do observatório. Esse instrumento permitia observar objetos celestes em diferentes comprimentos de onda, complementando as observações realizadas pelos outros equipamentos da missão.

A composição reúne quantidade expressiva de fotografias produzidas durante os primeiros anos de funcionamento do Swift. Cada registro contribui para formar um panorama da atividade científica do observatório, que investigou diferentes regiões do céu e acompanhou fenômenos astronômicos de curta duração.

O telescópio tinha função especialmente importante na observação de explosões de raios gama, eventos extremamente energéticos que podem durar de frações de segundo a vários minutos.

Essas explosões estão entre os fenômenos mais intensos conhecidos pela astronomia. Por isso, conseguir identificar rapidamente sua ocorrência e observar o que acontece depois é fundamental para compreender suas origens e consequências.

Mais do que uma composição visual, o material representa parte do legado de um observatório que ajudou astrônomos a estudar explosões de raios gama, supernovas, buracos negros e outros eventos cósmicos – Imagem: NASA/Swift/AndreaMosaic


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Observatório acumulou quase 22 anos de descobertas

  • Lançado em 20 de novembro de 2004, o Swift foi projetado inicialmente para missão de dois anos. Entretanto, superou amplamente essa expectativa e permaneceu em operação por quase 22 anos;
  • Durante esse período, observou mais de duas mil explosões de raios gama e estudou mais de 1,4 mil supernovas. Também acompanhou galáxias ativas, estrelas afetadas por buracos negros, cometas e asteroides;
  • Um dos diferenciais do observatório era a capacidade de reagir rapidamente a eventos cósmicos. Depois de detectar uma explosão de raios gama, o equipamento conseguia reposicionar seus telescópios em aproximadamente um minuto, permitindo acompanhar fenômenos que poderiam desaparecer rapidamente;
  • Ao longo da missão, as observações do Swift contribuíram para aproximadamente sete mil artigos científicos. Seu arquivo reúne milhões de imagens e quase duas décadas de informações sobre diferentes fenômenos astronômicos.

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Despedida do Swift aconteceu em novembro

A divulgação do mosaico coincidiu com o encerramento da missão. Na quarta-feira, o observatório reentrou na atmosfera terrestre sobre a região de Sumatra do Norte, na Indonésia, às 9h39 (horário de Brasília).

A reentrada foi consequência da perda gradual de altitude, acelerada pelo aumento da atividade solar. O aquecimento da atmosfera superior fez com que ela se expandisse, aumentando o arrasto sobre o satélite.

A NASA chegou a tentar prolongar a missão por meio de operação de resgate com a empresa Katalyst Space. O plano previa o envio de uma espaçonave robótica para capturar o observatório e impulsioná-lo para uma órbita mais elevada, mas problemas no sistema de orientação impediram a conclusão da operação.

Mesmo fora de atividade, o Swift continuará contribuindo para a ciência. Seus dados permanecem disponíveis para pesquisadores, que poderão explorar o material acumulado durante quase 22 anos em busca de novas descobertas.

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O mosaico divulgado pela NASA funciona, assim, como uma homenagem visual a essa trajetória: um conjunto de imagens que representa parte do trabalho de um observatório dedicado a observar os acontecimentos mais extremos do Universo.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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