A nave da missão chinesa Shenzhou-20 atrasou seu retorno à Terra após o veículo possivelmente ter sido atingido por pequenos fragmentos de detritos espaciais. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (5) pela Agência Espacial de Voos Tripulados da China (CMSA).
A agência declarou, em um comunicado, que conduz uma análise de impacto e uma avaliação de risco da situação. Não houve menção a uma nova data de previsão para o regresso da nave, originalmente programada para pousar no norte da China nesta quarta.
Os detritos, também chamados de lixo espacial, consistem em veículos de lançamento descartados ou partes de uma nave que flutuam no espaço a centenas de quilômetros acima da Terra.
O programa Shenzhou transporta astronautas —três de cada vez— para estadias de seis meses na estação Tiangong. Lá, eles realizam diversas tarefas, incluindo reparos de danos à estação causados por impacto de detritos.
Em abril, a missão de retorno da tripulação da Shenzhou-19 chegou a ser adiada em um dia em razão de condições climáticas no local de pouso. Mas esta é a primeira vez que uma missão de retorno é adiada por causa de detritos espaciais.
A CMSA não disse se a nave da Shenzhou-20 foi atingida por detritos durante o voo ou enquanto ainda estava acoplada à Tiangong. Outra nave, a da missão Shenzhou-21, também está acoplada à estação, aonde chegou na semana passada.
De acordo com protocolos, se os danos à nave da Shenzhou-20 não puderem ser reparados, a Shenzhou-21 será utilizada para transportar a tripulação anterior de volta à Terra.
No caso de ambas as naves estarem danificadas sem que seja possível efetuar o reparo delas, uma nave Shenzhou reserva seria enviada do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no noroeste da China, rumo à Tiangong.
Um foguete Long March-2F e uma nave Shenzhou reserva são mantidos no centro de lançamento para o caso de uma emergência em órbita.
LIXO ESPACIAL
O rápido aumento de lixo espacial nos últimos anos tem resultado em apelos por cooperação na gestão do tráfego espacial.
Em um fórum no ano passado, o presidente chinês Xi Jinping convocou países chineses e árabes para construírem conjuntamente um “centro de observação de detritos espaciais”.
Também no ano passado, um painel das Nações Unidas sobre coordenação de tráfego espacial cobrou ações urgentes, como um banco de dados compartilhado de objetos orbitais e uma estrutura internacional para rastrear e gerenciá-los.
Em 2021, a China afirmou à ONU que a Tiangong teve que realizar duas manobras de evasão de emergência para evitar a colisão com fragmentos de satélites Starlink, da SpaceX de Elon Musk, que predominam nas trajetórias orbitais mais baixas da Terra.
“Uma certa superpotência, sendo o primeiro país a conduzir testes de armas antissatélite no espaço sideral, realizou mais testes desse tipo e criou mais detritos espaciais do que qualquer outro país”, escreveu a missão permanente da China na ONU em um documento de 2022, referindo-se aos Estados Unidos.
Os EUA classificaram um teste chinês de míssil antissatélite em 2007 como “irresponsável” depois que ele destruiu um satélite em órbita polar e criou um enorme campo de detritos.
A China investiu em tecnologias que poderiam ser usadas para reduzir o risco de colisão espacial causada por detritos. Isso inclui “velas” de desorbitação, que uma vez desdobradas podem fazer com que a nave espacial acoplada acelere sua descida para a atmosfera terrestre, fazendo com que ela se queime sem deixar detritos espaciais.
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