A França expressou, na última terça-feira (31), sua profunda preocupação com as tentativas de alguns países de adiar a publicação dos relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). Vinculado à ONU (Organização das Nações Unidas), o painel é o mais importante órgão científico voltado à crise climática.
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Uma reunião técnica do grupo de especialistas em Bangcoc foi marcada por tensões, disseram fontes da diplomacia, depois que a Arábia Saudita e a Índia insistiram em defender o adiamento do próximo relatório do grupo.
“A França expressa sua profunda preocupação diante das tentativas de desacelerar e adiar arbitrariamente o cronograma de publicação dos relatórios do sétimo ciclo de avaliação do IPCC”, declarou o Ministério da Transição Ecológica em comunicado.
Composto por mais de 600 cientistas, o IPCC tem a missão de elaborar levantamentos sobre o estado do clima global —considerando os aspectos da física climática, da adaptação e impactos de eventos extremos e de medidas para mitigar o aquecimento global.
Os três relatórios são divulgados periodicamente, num intervalo de cinco a sete anos, e suas conclusões servem de referência para a ONU e devem orientar a elaboração de políticas climáticas nacionais.
Atualmente, os especialistas trabalham na sétima edição dos relatórios de avaliação em um processo que, até hoje, costumava ser blindado dos interesses políticos e econômicos que se mesclam às negociações diplomáticas sobre a mudança climática.
Agora, no entanto, o cronograma de publicação dos estudos está em debate.
Um grupo de países —incluindo a França e nações muito vulneráveis ao clima extremo, como os pequenos Estados insulares do Pacífico— argumenta que os relatórios deveriam ser finalizados e divulgados antes da COP33, a cúpula do clima da ONU de 2028. Isso porque está previsto para esse mesmo ano a segunda edição do balanço global do progresso na redução das emissões de gases de efeito estufa.
Porém, Arábia Saudita e Índia —muito dependentes de combustíveis fósseis e que podem sediar a cúpula em 2028— querem que o relatório seja divulgado apenas em 2029, afirmaram diplomatas. O adiamento poderia prejudicar a elaboração do balanço do clima global, já que os dados disponíveis não estariam atualizados.
O ministério francês afirmou, ainda, que qualquer atraso na divulgação dos dados diante da emergência climática “comprometeria gravemente” as ações em nível mundial.
A reunião técnica na Tailândia terminou sem acordo sobre essa questão.
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