O déficit comercial dos Estados Unidos voltou a crescer em fevereiro, refletindo um cenário de instabilidade nas políticas tarifárias e maior incerteza no comércio global, agravada pela escalada da guerra envolvendo o Irã.
Dados divulgados pelo governo americano mostram que o déficit chegou a US$ 57,4 bilhões no mês, alta de 4,9% em relação a janeiro.
O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, mas reforça um padrão de volatilidade nas trocas internacionais em meio a mudanças frequentes nas regras comerciais.
Importações avançam e ampliam desequilíbrio
As importações dos EUA somaram US$ 372,1 bilhões em fevereiro, alta de 4,3% na comparação mensal.
Já as exportações cresceram em ritmo semelhante, de 4,2%, alcançando US$ 314,8 bilhões, insuficiente, no entanto, para evitar a ampliação do déficit.
O movimento reflete uma recomposição dos fluxos comerciais após um período atípico em 2025, quando empresas anteciparam compras externas para escapar de tarifas mais elevadas.
Apesar da alta recente, o déficit acumulado no início de 2026 ainda está significativamente abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, indicando que o pico das distorções comerciais pode ter ficado para trás.
Tarifaço de Trump ainda gera efeitos
A política comercial do governo Donald Trump segue como principal fator de instabilidade. O pacote de tarifas implementado em 2025 alterou cadeias globais de suprimentos e levou empresas a rever estratégias de importação e produção.
Em fevereiro, a Suprema Corte derrubou parte central desse arcabouço tarifário, ao considerar que o presidente extrapolou sua autoridade ao impor tarifas globais com base em poderes emergenciais.
A decisão forçou a Casa Branca a reagir rapidamente, adotando novas tarifas com base em outra legislação, mas com validade limitada, prevista para expirar em julho.
Paralelamente, o governo busca alternativas legais para manter ou ampliar as barreiras comerciais.
O resultado é um ambiente regulatório instável, no qual empresas enfrentam dificuldades para planejar importações, investimentos e cadeias logísticas.
Guerra com Irã amplia pressão sobre comércio
A deterioração do cenário geopolítico adiciona uma camada extra de incerteza.
A guerra envolvendo o Irã tem pressionado preços de energia e afetado custos de transporte global, com impactos indiretos sobre o comércio.
O avanço do petróleo, que chegou a subir mais de 10% recentemente, encarece fretes, produção industrial e logística, reduzindo margens e afetando o volume de trocas internacionais.
Além disso, o risco sobre rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz levanta temores de interrupções mais severas no comércio global, o que pode provocar novas distorções nos próximos meses.
Volatilidade deve continuar
Apesar das oscilações recentes, o nível do déficit comercial americano permanece próximo ao observado durante grande parte do governo anterior, indicando uma relativa estabilidade estrutural.
Ainda assim, economistas avaliam que a combinação de fluxo comercial imprevisível e tensões geopolíticas tende a manter os fluxos comerciais voláteis no curto prazo.
A expectativa é de que empresas continuem ajustando estoques e rotas de importação conforme novas regras entram em vigor, ou são derrubadas, e à medida que o conflito no Oriente Médio evolui.
Sem um ambiente regulatório mais previsível e com riscos externos elevados, o comércio global deve seguir sujeito a mudanças bruscas, com impacto direto sobre crescimento econômico e inflação.
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