UE-Mercosul: Agricultores protestam contra acordo – 18/12/2025 – Mercado

Centenas de agricultores protestam em Bruxelas, onde ocorre uma reunião do Conselho da União Europeia nesta quinta-feira (17), contra o acordo comercial planejado com o Mercosul —cujo desfecho é incerto enquanto as negociações da cúpula começavam na capital belga.

Mais de 150 tratores congestionaram as ruas do centro de Bruxelas na manhã de quinta-feira. “Estamos aqui para dizer não ao Mercosul”, afirmou o produtor belga de laticínios Maxime Mabille. “É como se a Europa tivesse se tornado uma ditadura”, disse, acusando a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de tentar “forçar a aprovação do acordo”.

O lobby agrícola Copa-Cogeca disse que 10 mil manifestantes eram esperados para protestar no bairro europeu da capital, onde os países-membros da UE discutem o acordo com o Mercosul.

Os agricultores, particularmente na França, temem que o acordo entre UE e Mercosul os deixe em desvantagem devido ao fluxo de produtos mais baratos vindos do gigante agrícola Brasil e de seus vizinhos.

Os planos da chefe da comissão de voar para o Brasil neste fim de semana para assinar o acordo foram colocados em risco na quarta-feira (17), depois que a Itália se juntou à França na busca por um adiamento.

Ao chegar para as negociações da cúpula de quinta-feira, von der Leyen disse que ainda esperava por um acordo.

“É de enorme importância que obtenhamos luz verde para o Mercosul e que possamos concluir as assinaturas”, afirmou Von der Leyen, que realizou o que chamou de uma reunião “boa e produtiva” com uma delegação de agricultores europeus para ouvir suas preocupações.

PODER PARA DERRUBAR O ACORDO

O pacto UE-Mercosul criaria a maior área de livre comércio do mundo e ajudaria a UE a exportar mais veículos, maquinário, vinhos e bebidas destiladas para a América Latina em um momento de tensões comerciais globais.

Mas os agricultores dizem que também facilitaria a entrada na Europa de carne bovina, açúcar, arroz, mel e soja produzidos por seus concorrentes sul-americanos menos regulamentados.

Os governos da França e da Itália têm pedido cláusulas de salvaguarda mais robustas, controles de importação mais rígidos e padrões mais rigorosos para os produtores do Mercosul.

O presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou ao chegar a Bruxelas que a França não apoiaria o acordo sem salvaguardas mais fortes para seus agricultores.

“Quero dizer aos nossos agricultores, que têm deixado clara a posição da França desde o início: consideramos que ainda não chegamos lá, e o acordo não pode ser assinado” como está, disse Macron. Ele prometeu que a França se oporia a qualquer “tentativa de forçar a aprovação”.

A Alemanha, potência-chave, assim como a Espanha e os países nórdicos, apoiam fortemente o pacto do Mercosul, ansiosos para impulsionar as exportações enquanto a Europa lida com a concorrência chinesa e uma administração favorável a tarifas na Casa Branca.

“Se a União Europeia quer permanecer credível na política comercial global, então decisões devem ser tomadas agora”, disse o chanceler alemão Friedrich Merz aos repórteres em Bruxelas na quinta-feira.

Mas com o aval de Hungria e Polônia à oposição ao acordo, franceses e italianos teriam influência suficiente dentro do Conselho Europeu para derrubar o acordo, caso fosse colocado em votação.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou na quarta-feira que se a assinatura, que estava programada para sábado (20), for adiada, o acordo não será mais aceito pelo governo brasileiro até o fim do seu mandato em 31 de dezembro de 2026.

“Eu agora estou sabendo que eles não vão conseguir aprovar [no Conselho Europeu]. Está difícil, porque a Itália e a França não querem fazer por problemas políticos internos”, disse Lula. “E eu já avisei para eles, se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente. É bom saber. Faz 26 anos que a gente espera esse acordo. 26 anos”, comentou.

A posição vai ao encontro do que disse o chefe do comitê de comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, no início da semana. “Os países do Mercosul estão ficando sem paciência. Se não for possível assinar agora, a janela de oportunidade se fechará e eles procurarão países que não nos agradam”, disse.

OUTRAS REIVINDICAÇÕES DE AGRICULTORES

Os agricultores europeus também estão indignados com os planos apresentados pela Comissão Europeia para reformular os enormes subsídios agrícolas do bloco de 27 nações, temendo que menos dinheiro chegue até eles.

“Nossa mensagem é bem simples: estamos protestando desde 2024 na França, na Bélgica e em outros lugares”, disse Florian Poncelet, do sindicato agrícola belga FJA. “Gostaríamos de ser finalmente ouvidos”, afirmou.

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