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Falta uma agenda de Brasil nos discursos eleitorais – 20/01/2026 – Dora Kramer

Um dos temas que dominam as cogitações iniciais do ano eleitoral é justamente qual será o tema dominante na campanha. As pesquisas apontam a segurança pública, mas dois ministros que falaram recentemente sobre isso não incluem o assunto nos destaques.

Fernando Haddad (PT) disse ao UOL que a economia não definirá vencedor nem perdedor, ao contrário de eleições anteriores. Talvez tenha pretendido afastar sua gestão na Fazenda do escrutínio público.


Guilherme Boulos (PSOL), em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, também deixou de fora a segurança. Para ele, três questões vão prevalecer: soberania nacional, isenção do Imposto de Renda para os mais pobres e fim da escala 6×1 na jornada de trabalho.

Chama atenção o fato de ambos excluírem do debate o combate à criminalidade, a despeito do indicativo de que este seja o anseio maior da população premida pela insegurança no dia a dia. Parece se tratar de uma capitulação dos governistas ante a ausência de boa resposta à principal demanda do eleitorado. A batalha do projeto contra facções foi perdida para a oposição e a PEC da Segurança ainda está em disputa.

Restaria ao Planalto apostar em pautas populistas, mas de efeito incerto. A escala 6×1 alcança trabalhadores formais. Pode ser muita gente, mas não inclui o universo dos informais e tampouco atende à maioria interessada em outro tipo de abordagem, algo ligado à elevação da capacidade produtiva do país.

A isenção do IR é um bom ativo eleitoral, mas não chega a refletir a justiça tributária alegada pelo governo. Ademais, não é certo que tenha o poder de fazer os beneficiados se sentirem compelidos a agradecer nas urnas.

A defesa da soberania nacional pegou bem quando do tarifaço, mas salvo improváveis novos ataques de Donald Trump, deu o que tinha de dar. Proporcionou melhoras a Lula, mas não o suficiente que a aprovação ultrapassasse a desaprovação.

Se falta clareza ao governo quanto ao que oferecer ao país, a oposição padece do mesmo mal. Pobre Brasil.


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