O varejo brasileiro deve fechar junho com desempenho positivo, mas o avanço das vendas vem acompanhado de um sinal amarelo para o consumo. Projeção do IBEVAR, em parceria com a FIA Business School, indica crescimento de 5,73% no varejo ampliado em relação ao mesmo mês de 2025. No varejo restrito, a expectativa é de alta de 2,17% na comparação anual, apesar de uma leve queda de 0,20% ante maio.
A melhora nas vendas, porém, contrasta com a pressão sobre o orçamento das famílias. Segundo o estudo, a inadimplência de pessoas físicas no crédito livre — que inclui modalidades como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal — deve ficar em média em 7,15% em junho. O alerta é que, diante do aumento recente dos atrasos, o índice pode se aproximar do limite superior da projeção, de 7,48%.
Para o presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, Claudio Felisoni de Angelo, os números mostram um consumidor que segue comprando, mas com maior risco financeiro. “A estabilidade matemática não deve ser confundida com alívio no bolso do consumidor. O fato de a nossa projeção apontar como mais provável o atingimento do limite superior da margem revela que a pressão financeira sobre as famílias brasileiras no crédito livre, que possui as maiores taxas, ainda é intensa”, afirma.
Entre os segmentos que devem puxar o varejo em junho estão combustíveis e lubrificantes, com alta projetada de 8,92%, móveis e eletrodomésticos, com avanço de 8,48%, equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com crescimento de 8,24%, e veículos, motos, partes e peças, com alta estimada de 7,85%. Na contramão, livros, jornais, revistas e papelaria devem registrar queda de 14,80%.
O diagnóstico reforça a cautela para o segundo semestre. Mesmo com alguma tração nas vendas, especialmente em bens duráveis, o avanço da inadimplência no crédito mais caro limita o fôlego do consumidor e pode obrigar o varejo a calibrar estoques, promoções e concessão de crédito.
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