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Brasil é laboratório de inovação global, diz CEO da Epson America

Para o americano Keith Kratzberg, presidente e CEO da Epson America Inc., o país não é apenas o segundo maior mercado da companhia japonesa nas Américas, mas um lugar pioneiro para novos modelos de negócio

Na Epson desde 1996 e no comando das operações continentais desde 2016, Kratzberg carrega o marco histórico de ser o primeiro executivo não japonês a assumir uma posição de liderança global na Seiko Epson Corporation. Com uma gestão fortemente pautada em aliar inovação tecnológica e sustentabilidade, ele esteve recentemente nas instalações da Epson em São Paulo — que abriga a única fábrica do grupo japonês fora da Ásia —, ocasião em que concedeu esta entrevista exclusiva. No papo, Kratzberg defende o fim do uso de plásticos na impressão corporativa e projeta o impacto da inteligência artificial no futuro do setor.

Qual é a importância do mercado brasileiro para a estratégia global da Epson e como o comportamento local impulsiona o desenvolvimento de inovações disruptivas? O Brasil é um mercado incrivelmente estratégico, frequentemente atuando como um laboratório pioneiro para novos modelos de negócios. O melhor exemplo disso é a linha EcoTank. Tradicionalmente, a indústria operava no modelo “barbeador e lâmina”, vendendo a impressora a um preço baixo e lucrando alto com os cartuchos. No entanto, observamos que o consumidor latino-americano, que é muito inteligente na hora de avaliar o custo total de propriedade (TCO), começou a modificar as máquinas com tanques de tinta volumosos para economizar. Decidimos então criar um produto do zero para atender a essa demanda: invertemos a lógica cobrando um valor justo pelo equipamento, mas com garrafas de tinta de altíssimo rendimento e baixo custo. Essa inovação nasceu de uma necessidade local e acabou transformando o mercado global.

No setor corporativo, a tecnologia a laser ainda é dominante. Por que a Epson defende que esse modelo está ultrapassado e qual é a alternativa tecnológica sustentável? A tecnologia a laser tem mais de 50 anos e o mercado costuma ignorar como ela realmente funciona: o toner a laser é, na verdade, microplástico. O processo consiste em aquecer a máquina a altas temperaturas para derreter plástico sobre milhares de folhas de papel. Em pleno 2026, não faz sentido investir em um sistema que consome tanta energia e espalha plástico. Para mudar isso, desenvolvemos uma linha corporativa a jato de tinta que entrega alta performance utilizando 75% menos eletricidade, sem o uso de toner plástico e com um índice de manutenção drasticamente menor, já que possui menos peças móveis. É uma transição muito semelhante à revolução que estamos vendo dos carros a combustão para os veículos elétricos.

Considerando as vantagens da nova tecnologia, quais são as principais barreiras para convencer grandes corporações a abandonar o laser, e como isso tem avançado no Brasil? O maior desafio econômico é competir contra um modelo consolidado, cujos custos de Pesquisa e Desenvolvimento e fábricas foram amortizados há décadas. Contudo, nossa vantagem competitiva está na eficiência da máquina e na economia gerada a longo prazo. No Brasil, temos visto uma aceitação fantástica porque as empresas realmente valorizam a eficiência de custos. Visitamos recentemente um grande hospital em São Paulo que substituiu 90% do seu parque de impressoras a laser pela nossa tecnologia. Eles estão extremamente satisfeitos, pois alcançaram um custo menor, reduziram a manutenção e cumpriram de forma clara suas metas de sustentabilidade, tudo isso apenas mudando a forma como imprimem.

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4. Mudando para a economia digital, como o senhor enxerga o impacto da Inteligência Artificial (IA) nos negócios de tecnologia e na gestão de produtos?
Keith Kratzberg: Pessoalmente, vejo a IA como a nova grande plataforma e o novo sistema operacional do mercado, assim como ocorreu com os PCs e depois com a internet. Estamos em um momento muito parecido com o ano de 1999: sabemos que essa tecnologia vai mudar absolutamente tudo, desde a interação das pessoas com as máquinas até a criação de conteúdo, mas ainda estamos descobrindo as formas exatas de como isso vai acontecer. No debate atual sobre substituição de empregos, a área em que já observei um ganho concreto de produtividade – a ponto de reconfigurar equipes e internalizar projetos – foi na programação, com o uso de assistentes de código de IA.

5. Além das impressoras tradicionais, a Epson se tornou uma potência na indústria têxtil. Como a filosofia de inovação da empresa dialoga com esse setor produtivo na América Latina?
Keith Kratzberg: A essência da Epson é ser uma empresa guiada pela engenharia e pelo R&D (Pesquisa e Desenvolvimento), sempre focada no desenvolvimento de tecnologias compactas, precisas e que poupam energia. Percebemos que o Brasil possui um ecossistema têxtil dinâmico e flexível. Por isso, trouxemos equipamentos industriais e de sublimação que alteraram a economia do setor: antes, para estampar tecido, era necessário um alto custo inicial em fábricas gigantescas. Hoje, nossa tecnologia permite produzir desde uma única peça com design exclusivo até operar 24 horas por dia em larga escala. Isso empoderou milhares de empreendedores locais, permitindo que pequenas lojas de confecção ganhassem a capacidade produtiva e a flexibilidade de grandes fábricas.

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