A Copa do Mundo de 2026 já começou e ela não está movimentando apenas torcedores e o setor de turismo. Os influenciadores digitais também passaram a entrar no radar das autoridades americanas. Com a expectativa de uma intensa circulação internacional durante o torneio, os Estados Unidos reforçaram o alerta de que estrangeiros que pretendem monetizar conteúdos produzidos no país não podem utilizar o visto de turista para esse tipo de atividade.
A orientação foi destacada pelo governo americano em posicionamento enviado ao jornal espanhol El País. Segundo a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) e o Departamento de Segurança Interna (DHS), entrar no país com o objetivo de produzir conteúdo que gere receita configura atividade profissional incompatível com o visto B-2, destinado exclusivamente a turismo, visitas familiares e tratamentos médicos.
Na prática, a medida afeta um perfil cada vez mais comum: criadores de conteúdo que viajam para grandes eventos internacionais para realizar coberturas, ativações de marca, campanhas publicitárias e publicações patrocinadas nas redes sociais. O modelo de trabalho, que muitas vezes mistura lazer e produção digital, cresceu rapidamente nos últimos anos e passou a movimentar cifras relevantes dentro da chamada creator economy.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, a administração do presidente Donald Trump pretende intensificar a fiscalização nos aeroportos e demais pontos de entrada do país para identificar influenciadores que estejam utilizando o visto de turista para desenvolver atividades remuneradas.
O argumento oficial é a proteção do mercado de trabalho americano. No entendimento das autoridades, a produção de conteúdo patrocinado representa prestação de serviço e geração de renda, independentemente de o pagamento ser realizado por marcas estrangeiras ou por plataformas digitais.
O endurecimento da interpretação ocorre justamente em um momento em que milhares de criadores se preparam para acompanhar a Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México. A preocupação é que profissionais que desconheçam as regras migratórias acabem enfrentando problemas na imigração, incluindo o impedimento de entrada no país.
Segundo Fabiano Rocha, CEO e fundador da consultoria migratória Jumpstart, o sistema americano já possui uma alternativa adequada para esse perfil profissional. “O visto adequado para esse perfil é o O-1, voltado a pessoas com habilidades extraordinárias, que hoje já inclui criadores de conteúdo e influenciadores digitais. Ele permite atuação remunerada nos Estados Unidos, incluindo campanhas, parcerias com marcas e produção de conteúdo comercial, desde que comprovado reconhecimento na área”, explica.
A diferença entre os tipos de visto vai além da burocracia migratória e define quais atividades econômicas podem ser exercidas durante a estadia. Enquanto o B-2 continua restrito a atividades não remuneradas, o O-1 funciona como uma formalização da atuação profissional dos creators dentro do sistema legal americano.
O episódio também evidencia um desafio mais amplo enfrentado por governos ao redor do mundo: adaptar legislações migratórias e trabalhistas a uma economia digital que evolui em ritmo acelerado. As categorias tradicionais de visto foram criadas décadas antes das redes sociais transformarem pessoas comuns em empresas de mídia capazes de gerar receita global a partir de um celular.
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