O presidente Lula (PT) deve visitar Minas Gerais nesta semana ainda sem um candidato a governador no estado. Descontente com a indefinição, o diretório mineiro do PT passou a pressionar o presidente por uma decisão.
Os nomes já cogitados até o momento dividiram as opiniões dos aliados de Lula. O diretório local do PT aprovou, em maio, a ideia de construir candidatura própria. Essa, porém, é a hipótese com chances mais remotas, na visão de fontes no entorno do presidente.
O mais provável é que Lula decida lançar o empresário Josué Gomes da Silva (PSB) ou se associar à já colocada pré-candidatura do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB). Corre por fora o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares (PSB).
Josué é filho do também empresário José Alencar, vice de Lula em seus dois primeiros governos. Ele tem relação antiga com o chefe do Executivo e é uma das principais pontes entre o petista e o setor privado. Também já foi presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Segundo aliados do presidente, Gabriel Azevedo hoje é quem teria maior chance de encabeçar a aliança de apoio a Lula no estado. Mas ainda enfrenta resistência dentro do partido.
A falta de um palanque em Minas é o principal problema da pré-campanha de Lula. O eleitorado mineiro é o segundo mais numeroso do país. Uma boa votação no local é indispensável para os planos de reeleição do presidente da República.
Antes desconhecido por petistas de fora de Minas Gerais, Azevedo ganhou força junto ao núcleo político mais próximo de Lula nas últimas semanas. Além do apoio de amigos do presidente, pesa a seu favor a capacidade de agregar ao menos mais um partido, o MDB, à chapa que apoiará a reeleição do presidente da República no estado.
Existe um temor em setores petistas mineiros de projetar Azevedo e ele se tornar um adversário no futuro. Por exemplo: se obtiver boa votação com o apoio de Lula, mesmo não sendo eleito, Azevedo vira um candidato natural para a prefeitura de Belo Horizonte em 2028 ou para o governo novamente em 2030, quando um petista poderia disputar os cargos.
Esses grupos também se dizem reticentes quanto a uma eventual aliança com Azevedo por ele ser de um partido que não apoiará Lula nacionalmente. Em outros estados, como Alagoas, o PT deverá apoiar candidatos emedebistas.
A resistência, porém, não é unanimidade. A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), por exemplo, tem defendido uma negociação que amplie a chapa —o que poderia ser feito por meio de uma aliança com MDB e PSB.
“PSB e MDB deveriam fazer um acordo e uma proposta, envolvendo o PT, de uma composição geral envolvendo a vice e o segundo nome para o Senado”, disse ela, que é pré-candidata ao Senado. Assim, esses dois partidos poderiam indicar um candidato a governador e um candidato a senador.
Lula chegou a cogitar deslocar Marília para a disputa pelo governo do estado, mas desistiu da ideia. Pesaram a insistência da ex-prefeita em disputar uma vaga no Senado e a avaliação de que ela tem chances reais de ser eleita. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, confirmou nesta terça-feira que ela disputará uma vaga de senadora.
“Estou convencido de que o Gabriel é o melhor candidato que temos. É o candidato da frente ampla”, disse o petista João Batista dos Mares Guia, pré-candidato a deputado federal. Ele é irmão do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, amigo de Lula.
Nos últimos dias, o diretório mineiro do PT enviou uma mensagem ao presidente da República requerendo uma audiência. Os integrantes do partido querem expor seus argumentos diretamente ao chefe do governo e que ele decida mais depressa com quem se aliará.
Petistas do estado dizem que o presidente errou na construção política em Minas Gerais, e que a situação chegou em um ponto que só ele é capaz de resolver.
“O ideal é que a gente tenha uma única candidatura desse campo progressista todo, que é o que a gente estava buscando com o [senador do PSB] Rodrigo Pacheco. Os instrumentos para isso não dependem só do diretório estadual”, disse o deputado Rogério Correia (PT-MG). Segundo ele, uma solução precisa ser costurada entre as direções estadual e nacional do PT, além do próprio presidente da República.
Aliados de Lula em Minas o criticam, reservadamente, por ter apostado tudo em uma candidatura de Pacheco. Isso interditou as negociações dentro do PT e com outras forças políticas por meses. No fim de maio, o senador confirmou publicamente que não disputará as próximas eleições.
A cúpula do PT também tentou restaurar a aliança com Alexandre Kalil (PDT), que foi o candidato de Lula ao governo de Minas Gerais em 2022 e pretende concorrer de novo ao cargo, mas não foi possível um acordo já para o primeiro turno.
O petista deve viajar a Minas Gerais na sexta-feira (19). A agenda não está confirmada, mas deve incluir a inauguração de um hospital em Divinópolis. Também é possível que o presidente visite a capital Belo Horizonte.
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