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BYD renova cotas de importação com apoio de Rui Costa – 23/06/2026 – Economia

Com estratégia comercial agressiva e pouco apreço pelas associações que representam o setor automotivo, a chinesa BYD insistiu na renovação das cotas que permitem trazer kits para montagem de veículos eletrificados com isenção do Imposto de Importação. Mesmo com a oposição de seus pares na indústria, obteve mais seis meses de benefício. A explicação para o êxito é mais política do que técnica.

A montadora chinesa articulou-se bem junto ao governo federal. Rui Costa (PT), ministro-chefe da Casa Civil e ex-governador da Bahia (de 2015 a 2022), tem ajudado na interlocução com o Planalto. A relação se fortaleceu durante as eleições de 2022.

O episódio que marcou essa história ocorreu durante a campanha. No dia 20 de setembro daquele ano, durante discurso em Camaçari (BA), o então candidato a governador da Bahia ACM Neto (União) afirmou que, caso estivesse à frente do estado, teria lutado mais para que a fábrica da Ford na cidade não fosse desativada. A produção no local havia sido encerrada em janeiro de 2021.

Seu principal adversário era Jerônimo Rodrigues (PT), que havia chefiado as secretarias do Desenvolvimento Rural e da Educação na gestão de Rui Costa no estado. Ambos foram para o segundo turno, e o fechamento da fábrica continuou sendo um tema recorrente.

No dia 28 de outubro daquele ano, a dois dias da votação final, Rui Costa sinalizou que a fábrica da Ford seria assumida pela BYD. “Assinei, junto à BYD Auto, maior fabricante de veículos elétricos do mundo, protocolo de intenções para a instalação de três fábricas aqui na Bahia”, escreveu nas redes sociais.

A montadora chinesa foi surpreendida pelo anúncio, mas evitou manifestações que descredibilizassem o então governador. Jerônimo Rodrigues venceu, e Luís Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito para seu terceiro mandato. Em outubro de 2023, o negócio foi concretizado com os chineses assumindo a linha de montagem.

A questão relacionada ao Imposto de Importação ocorre em mais um ano eleitoral, e o governo não quer gerar insatisfações na Bahia —estado em que Lula recebeu 72% dos votos no segundo turno de 2022. Para além de argumentos técnicos, a BYD tem como vantagem a gratidão de Rui Costa.

A Anfavea (associação das montadoras) constatou que seu prestígio no mundo político não tem sido suficiente. A entidade tem chamado a atenção para os riscos que a prolongação de benefícios aos regimes CKD e SKD traz à indústria nacional.

As siglas em questão indicam que os carros chegam ao Brasil desmontados ou parcialmente montados. É um sistema que antecede a produção local de componentes no caso das operações em grande escala. Em algum momento, todas as montadoras instaladas utilizaram o método.

A questão é que a BYD parece ainda distante de estabelecer um parque de fornecedores no país, embora afirme que terá grande quantidade de componentes locais até 2027. Ao mesmo tempo, a empresa chinesa segue conquistando mercado ao concorrer em preço com os modelos nacionais. É essa atuação comercial que mais incomoda a concorrência.

A decisão favorável à BYD beneficia também os concorrentes. A General Motors, por exemplo, iniciou a montagem de seus carros elétricos de origem chinesa em Horizonte (CE) no regime SKD. O grupo Stellantis fará o mesmo, com produção de modelos Leapmotor em Goiana (PE). Ambas as fabricantes fazem parte da Anfavea.

Fonte: Link da fonte

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