Tesouro faz leilão de prefixados, e juros futuros disparam – 02/07/2026 – Economia

O Tesouro Nacional realizou leilões de títulos prefixados nesta quinta-feira (2), em lotes considerados “robustos” pelo mercado. Os juros futuros dispararam logo depois, embora operadores não apontem correlação imediata entre a oferta do Tesouro e o movimento na curva.

Foram oferecidos 20 milhões de LTNs (Letra do Tesouro Nacional, conhecidos como Tesouro Prefixado) e 3,65 milhões de NTN-Fs (Nota do Tesouro Nacional Série F, o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais).

No caso das LTNs, 9 milhões tinham vencimento em 2028; 8 milhões, vencimento em 2029; e 3 milhões, em 2032. Já entre as NTN-Fs, 3 milhões eram de prazo para 2031; 150 mil, para 2033; e 500 mil, para 2037. Todos os títulos foram vendidos, e a liquidação ocorrerá nesta sexta-feira (3).

Na terça, o Tesouro ainda fez leilão mínimo de 150 mil NTN-Bs (os populares Tesouro IPCA+, que rendem a variação da inflação mais um ganho fixo).

Os leilões da manhã desta quinta foram realizados por volta das 11h30. A curva de juros, antes em baixa, inclinou para cima logo depois, com alguns vencimentos apresentando alta em torno de 0,2 ponto percentual na taxa.

A taxa para janeiro de 2029 avançava para 14,42% às 15h30, em ganho de 0,16 ponto percentual. O vértice com vencimento para janeiro de 2032 subia para 14,55%, alta de 0,18 ponto, e o com prazo para janeiro de 2035 marcava 14,51%, valorização de 0,15 ponto.

“Parece ser o leilão e o volume ruim de notícias fiscais que vem se avolumando nos últimos dias”, diz Marcos de Marchi, economista-chefe da Oriz Partners.

“O mercado está muito machucado e o Tesouro está fazendo leilões, sendo que tem gente pedindo leilão de recompra.”

Operadores também apontam a corrida eleitoral como motivo para a reversão do movimento. Levantamento Atlas Intel/Bloomberg, na véspera, mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.

Lula tem 48,8% das intenções de voto no segundo turno, ante 42,3% de Flávio. Em abril, ambos estavam empatados com 48%. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

De modo geral, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que vê em sua reeleição um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação, forçando a manutenção da Selic em patamares elevados.

Nesta quinta, o instituto ainda divulgou que o envolvimento de Jaques Wagner, então líder do PT no Senado, no caso Master afeta diretamente o presidente Lula para 37,8% do eleitorado. Outros 23,5% dizem que o impacto é imparcial.

Já 59,6% do eleitorado acreditam na acusação de Michelle Bolsonaro de que Flávio a desrespeitou.

“O mercado vem tentando digerir uma série de eventos, como a reprecificação das expectativas para a Selic, a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos, o noticiário com impacto sobre a inflação, o risco de aprovação de pautas-bomba no Congresso, o noticiário eleitoral, entre outros fatores”, diz Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de macro e dívida pública da Warren Investimentos.

“Em dias como hoje, mesmo sem um gatilho específico, observa-se uma piora no tom dos mercados, que acaba levando à alta dos juros.”

Vital ainda afirma que o Tesouro aproveitou a janela para emissão de prefixados nesta quinta, em meio à baixa acumulada nas taxas. “Leilões maiores [como esse] contribuem para pressionar os juros futuros, mas, no dia de hoje, o principal vetor parece ser o tom geral do mercado, e não o leilão em si.”

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