O Tesouro Nacional conseguiu colocar nesta quinta-feira, 2, um lote robusto de 17,3 bilhões de reais em títulos prefixados, entre LTN e NTN-F. Na superfície, a operação foi lida como sinal de demanda firme. Nas mesas de renda fixa, porém, a avaliação é menos confortável: houve comprador, mas o preço cobrado pelo mercado voltou a acender alertas.
Gestores ouvidos pelo Radar Econômico afirmam que o movimento marca uma mudança tática depois dos tropeços recentes nos leilões de NTN-B, os papéis atrelados à inflação. Com investidores exigindo prêmios reais cada vez mais salgados, o Tesouro recalibrou a rota e ofereceu ao mercado o que havia maior apetite no momento: prêmio nominal elevado em papéis prefixados.
A fatura veio nas taxas. Para garantir a colocação integral, o Tesouro aceitou pagar algo entre 14,35% e 14,58% ao ano. A leitura de parte do mercado é que, ao validar esse nível no papel físico, o governo acabou dando combustível adicional para a curva futura de juros.
O reflexo apareceu rapidamente no DI de janeiro de 2029, que avançou para a casa de 14,35% e reforçou o estresse ao longo da curva. Para quem estava posicionado em fechamento de juros, o movimento significou perdas relevantes na marcação a mercado.
A percepção entre gestores é que o mercado segue testando o limite do governo. Há demanda para risco fiscal brasileiro, mas com um pedágio crescente. O Tesouro ganhou fôlego de curto prazo para a rolagem da dívida. A dúvida agora é quanto essa conta vai custar mais adiante.
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