Como saber a vantagem das escolas integrais? – 17/07/2026 – Laura Machado

Temos ampla evidência da grande vantagem da educação integral no Brasil sobre o ensino regular.

A Secretaria Estadual de Educação de Santa Catarina, por exemplo, ofertou o Ensino Médio em Tempo Integral (Emiti) a partir de uma metodologia do Instituto Ayrton Senna em 2018 e 2019, e a iniciativa foi avaliada com método padrão ouro. Os resultados são surpreendentes: em dois anos foram 16 pontos a mais na escala Saeb em matemática em relação ao ensino regular, mais do que o triplo visto no estado naquele momento.

Estudos sobre o modelo de integral de Pernambuco também encontraram resultados positivos. Importante ressaltar que essas avaliações experimentais foram feitas até 2020, em cenários de poucas matrículas.

De acordo com o Ministério da Educação, o ensino integral em 2024 contemplou 22,9% das matrículas no país. O novo Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece a meta de atender 50% até 2036. O Brasil escolheu mais do que dobrar os estudantes nessa modalidade na próxima década.

A partir da vantagem identificada cientificamente até 2019, tudo indica que foi uma decisão acertada para o nosso futuro. Talvez nos falte um plano para conhecer os resultados no futuro: quais serão os sistemas de monitoramento e de avaliação sobre os resultados dessa decisão ao longo dos anos até 2036?

Começando pelo monitoramento: a primeira etapa de um bom sistema envolve uma definição do que se deseja monitorar. O que é uma educação integral? Faltam estatísticas que indiquem qual escola é integral, em parte, talvez, pela falta de uma definição operacional desse conceito.

Uma escola integral é aquela que desenvolve os estudantes em diversas dimensões? Atualmente, o Censo Escolar denomina e monitora as escolas em tempo integral pela proporção de matrículas em que os alunos permanecem 7 horas diárias ou 35 horas semanais. Mas a permanência de 35 horas na escola é suficiente para chamá-la de integral? Sem essa definição clara e sem o acompanhamento desses componentes pelo Censo Escolar, teremos desafios de monitoramento.

Apesar de muito importante, o monitoramento não é suficiente. Somente a avaliação de impacto consegue responder se uma proposta alcançou os efeitos dos resultados (bem definidos) que esperávamos dela.

Nesse sentido, temos algum conhecimento sobre o que aconteceu até 2019 e temos um plano de expansão. Quais avaliações serão feitas para avaliar o impacto dessa meta? Como saberemos em qual medida a educação integral sustenta os resultados que encontramos até 2019 ao longo do processo até 2036? Precisamos de um plano de avaliação de impacto dessa decisão, de preferência anual, assim como Santa Catarina fez no passado. Caso contrário, não saberemos a vantagem do efeito isolado do integral.

No momento, temos um sonho: todos os brasileiros aprendendo e se desenvolvendo o mais rápido possível. Demos enormes passos nessa direção, encontramos soluções promissoras, advogamos por elas e nos comprometemos a levar em frente o que dá resultados para mais estudantes.

Para além de celebrarmos todas essas conquistas, urge termos instrumentos de monitoramento e de avaliação da educação que estamos construindo. São esses mecanismos que nos darão base para saber quais as melhores decisões ou quais os ajustes serão necessários.

A educação é importante demais para termos um plano arrojado sem sistemas de monitoramento e de avaliação de impacto igualmente arrojados.


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