A chegada dos jogadores argentinos ao seu país natal foi uma espécie de anticlímax se comparada à festa que tomou conta de Buenos Aires após a derrota na final da Copa do Mundo, no último domingo (19).
Os torcedores se esforçaram —milhares deles foram, na última segunda-feira (20), até a sede da AFA (Associação do Futebol Argentino) para receber os atletas, que chegaram sem alguns de seus principais nomes, incluindo Lionel Messi, Rodrigo De Paul e Enzo Fernández.
Além disso, o presidente Javier Milei chegou a prometer um feriado para as comemorações logo após a derrota, mas teve seus planos frustrados.
“Os jogadores receberam até seis opções diferentes de comemoração”, afirmou o ultraliberal ao LN+, o canal do jornal La Nación. “Obviamente, dada a tristeza que sentiram por não terem vencido a final, decidiram não comemorar.”
Cercanías
A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo
Para o líder, seria importante ter alguma celebração para a equipe “mais importante da história da Argentina”, segundo ele. “Era preciso fazer algo à altura deste grupo maravilhoso”, afirmou. “Temos Messi, que é o melhor jogador de todos os tempos, com recordes verdadeiramente deslumbrantes, e um treinador que possui habilidades de liderança muito admiráveis.”
Agora, especula-se o que acontecerá com o técnico Lionel Scaloni, à frente da equipe desde agosto de 2018. Ao sair do prédio da AFA nesta terça, o treinador disse que sua continuidade na seleção não era o mais importante neste momento.
“Acho que essas são coisas que, depois de um torneio como este, são normais; você pode dizer, você repensa as coisas, e até dezembro, como eu disse, estamos aqui”, afirmou, em referência à data em que seu contrato vence.
Ao chegar na sua casa em Pujato, a 320 km de Buenos Aires, voltou a falar com a imprensa. “Dói não ter dado aos argentinos a alegria que mereciam; jogamos pela alegria do nosso povo. Mas também estamos satisfeitos por termos dado tudo de nós”, disse, sob os gritos de “Leo, não vai embora” de seus vizinhos.
“Não vamos fazer alarde. Hoje é um dia doloroso, são dias difíceis”, continuou, enquanto recebia abraços e dava autógrafos a fãs que o esperavam no local.
Foi o mesmo tom da declaração de grande parte dos jogadores.
“A dor é imensa e levará um tempo para que essa ferida cicatrize. Mas também guardo com carinho tudo de bom”, afirmou Messi em suas redes sociais nesta terça. “As partidas que viramos, dando tudo de nós, que ficarão para sempre em nossas memórias, o apoio de um país inteiro que, junto com o trabalho árduo e o esforço deste grupo, nos levou a estar, mais uma vez, entre os melhores do mundo.”
O craque chegou nesta terça a Rosário —de Nova Jersey, onde foi disputada a final, o camisa 10 da seleção Argentina foi para Miami e, depois, chegou à sua cidade natal em um voo privado, sem participar da chegada da seleção à AFA na segunda. Mesmo assim, dezenas de torcedores o esperavam no aeroporto.
Também nesta terça, o técnico do Inter de Miami, Guillermo Hoyos, evitou dar um prazo para o retorno de Messi e de Paul, os dois jogadores argentinos do clube que atuaram na seleção. “A Copa do Mundo terminou há algumas horas. O que eles mais precisam é descansar e estar com seus entes queridos em casa”, afirmou. “Eles ficarão fora pelo tempo que precisarem.”
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