Sob cobrança por R$ 1 bi, presidente da Posco virá ao Brasil

A visita do presidente sul-coreano Lee Jae-myung ao Brasil ganhou um potencial foco de constrangimento empresarial. Jang In-hwa, presidente do Grupo Posco, está entre os executivos confirmados para a mesa-redonda de negócios que será realizada em São Paulo na próxima terça-feira, 28.

A participação de Jang consta da relação de empresários informada pela Casa Azul à imprensa coreana. Além do chefe da Posco, estão previstos executivos da Hyundai, Samsung, LG, Korean Air, Hanwha, Naver e outras grandes companhias. O encontro, organizado pela ApexBrasil e pela Federação das Indústrias Coreanas, será a principal agenda econômica da passagem de Lee pelo país.

A presença do presidente da Posco ocorre justamente quando o governo brasileiro pressiona o grupo sul-coreano por uma solução para o passivo deixado pela Posco Engenharia e Construção do Brasil. A empresa atuou nas obras da Companhia Siderúrgica do Pecém, no Ceará, encerrou suas atividades e entrou em processo de falência.

Os credores calculam que as obrigações superem R$ 1 bilhão, incluindo valores devidos a fornecedores, trabalhadores e ao Fisco. A cifra maior é uma estimativa da associação que representa os credores: no processo, a subsidiária brasileira declarou um passivo de aproximadamente R$ 700 milhões.

O caso já entrou formalmente na agenda diplomática. Em audiência na Câmara dos Deputados, em junho, o diretor do Departamento de Promoção Comercial, Investimentos e Agricultura do Itamaraty, Carlos Henrique Moscardo, disse que o ministério estava “totalmente empenhado” em encontrar uma solução amigável.

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Moscardo revelou ainda que a embaixadora do Brasil em Seul se reuniu com representantes dos ministérios sul-coreanos das Relações Exteriores e do Comércio para tratar especificamente da Posco. Segundo ele, o episódio será considerado prioritário no diálogo diplomático entre os dois países até que a pendência seja resolvida.

A presença de Jang em São Paulo abre uma oportunidade para que a cobrança chegue diretamente ao comando do grupo, ainda que não haja indicação pública de que o assunto será tratado por Lula e Lee no encontro presidencial. A tendência é que o tema apareça nas conversas reservadas ou nas agendas empresariais, sem dominar uma visita voltada também a minerais críticos, tecnologia, energia, defesa e à retomada das negociações comerciais entre a Coreia do Sul e o Mercosul.

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