Xuxa estreia O Último Voo da Nave com emoção e maturidade- OFuxico

Estive no Nubank Parque para acompanhar a estreia de ‘O Último Voo da Nave’ e saí com a sensação de que havia assistido a algo maior do que um show.

Quando as luzes se apagaram na noite deste sábado 25/07, o público sabia que iria assistir a um show da Xuxa, mas ninguém imaginava que presenciaria um dos momentos mais marcantes da carreira da artista.

Nave de Xuxa sobrevoa o Nubank Parque – Reprodução

A tão sonhada nave finalmente voou

Durante décadas, ela fez parte do imaginário de milhões de brasileiros. Era dela que descia a Rainha dos Baixinhos para comandar o programa infantil mais bem-sucedido da televisão brasileira. Desta vez, porém, a nave deixou de ser apenas uma lembrança dos estúdios de TV. Ela cruzou o céu do estádio, sobrevoou a plateia e transformou em realidade um sonho que a própria Xuxa revelou carregar havia muitos anos.

Era impossível não perceber a emoção estampada em seu rosto.

Mais do que um efeito especial, aquele voo simbolizava a realização de um desejo antigo e o encerramento de um ciclo iniciado há mais de quatro décadas. Mas o maior espetáculo da noite talvez nem tenha sido a nave e sim o encontro entre uma artista e a geração que cresceu ao seu lado.

Xuxa realiza um sonho e faz a nave voar sobre o público
Xuxa desce da nave na abertura do show – Tomzé Fonseca/ Agnews

A plateia do Nubank tinha pouquíssimas crianças. Pelo menos na pista, o que se via era um verdadeiro mar de adultos, muitos entre 30 e 50 anos, cantando cada música do repertório como se voltassem, por algumas horas, à própria infância.

Os antigos baixinhos cresceram. Hoje são pais, mães, profissionais, empresários, avós em alguns casos. E Xuxa também cresceu com eles. Essa talvez tenha sido a maior mensagem do espetáculo.

Em nenhum momento ela tentou parecer a apresentadora dos anos 1980. Aos 63 anos, subiu ao palco segura de si, dona de uma excelente forma física, bonita, elegante e absolutamente confortável com a própria idade.

Brincou com o tempo, fez piadas sobre ser uma senhora e mostrou que amadurecer pode ser leve, divertido e bonito. Não houve esforço para esconder os anos. Pelo contrário, a idade apareceu como motivo de orgulho.

Talvez seja justamente por isso que o público respondeu com tanto carinho. Xuxa não tentou reviver a mulher que foi. Preferiu celebrar a mulher que se tornou.

Xuxa emociona ao estrear 'O Último Voo da Nave' e mostra que cresceu junto com seus baixinhos
Tomzé Fonseca/ Agnews

Um espetáculo digno dos grandes shows internacionais

Quem esperava um show sustentado apenas pela nostalgia encontrou uma produção de altíssimo nível. O palco, totalmente cercado por gigantescos painéis de LED, transformava cada música em uma experiência visual diferente.

A iluminação foi impecável. Os efeitos especiais conversavam com cada momento da apresentação e a qualidade técnica impressionou do começo ao fim.

O elenco de bailarinos merece um destaque especial. As coreografias eram precisas, as entradas e saídas de cena aconteciam com absoluta sincronia e números de acrobacia e sapateado elevaram ainda mais o nível do espetáculo.

Nada parecia improvisado, tudo funcionava com perfeição. Não se tratava apenas de uma grande produção brasileira. Era um espetáculo que, tecnicamente, não deixa absolutamente nada a dever às grandes turnês internacionais.

E isso ficou evidente na reação do público. Durante toda a apresentação, o estádio cantou junto, vibrou, se emocionou e respondeu com demonstrações de carinho que dificilmente se veem em um espetáculo dessa dimensão.

Tomzé Fonseca/ Agnews

Outro dos momentos mais emocionantes da noite foi a homenagem às Paquitas. Representantes de diferentes gerações dividiram o palco com Xuxa em um reencontro carregado de simbolismo. Mais do que ex-assistentes de palco, elas fazem parte da memória afetiva de milhões de brasileiros e ajudaram a construir um dos maiores fenômenos da televisão nacional.

A participação delas emocionou o público e reforçou que a história da Rainha dos Baixinhos nunca foi construída sozinha.

Xuxa emociona ao estrear 'O Último Voo da Nave' e mostra que cresceu junto com seus baixinhos
Tomzé Fonseca/ Agnews

Repertório vivo que atravessou gerações

O setlist foi pensado para percorrer praticamente todas as fases da carreira de Xuxa. A abertura com Doce Mel (Bom Estar com Você)” deu início a uma viagem por sucessos como “O Xou da Xuxa Começou”, “Abecedário da Xuxa”, “Planeta Terra”, “Nosso Canto de Paz”, “Cinco Patinhos”, o medley do “Txutxucão”, “Estátua”, “Dança da Xuxa”, “É de Chocolate”, “Planeta Xuxa”, “Arco-Íris”, “Lua de Cristal” e “Ilariê”, encerrando o espetáculo em clima de celebração coletiva.

Cada música parecia despertar uma lembrança diferente em quem estava no estádio.

E o “Arco-Íris” ganhou um novo significado

Um dos momentos mais bonitos da apresentação aconteceu durante “Arco-Íris”.

Quando gravou a canção, no fim da década de 1980, Xuxa dificilmente poderia imaginar que, anos mais tarde, ela seria abraçada pela comunidade LGBTQIA+ como um dos maiores símbolos de acolhimento, respeito e diversidade.

A música ultrapassou o universo infantil e passou a representar muito mais do que um sucesso da carreira da artista. Ao interpretá-la diante de milhares de pessoas, Xuxa celebrou uma canção que hoje transmite uma mensagem de liberdade, inclusão e respeito às diferenças. Foi um dos momentos mais emocionantes da noite.

Muito mais do que um show

“O Último Voo da Nave” não vive apenas da memória afetiva. Ao longo da apresentação, Xuxa fez questão de dividir com o público valores que passaram a fazer parte de sua vida.

Falou sobre paz, combate à homofobia, respeito às diferenças, enfrentamento ao preconceito, preservação da natureza e também sobre sua escolha pelo vegetarianismo, convidando as pessoas a refletirem sobre um consumo mais consciente.

Essas mensagens surgiram naturalmente durante o espetáculo e mostraram uma artista que continua usando sua enorme capacidade de comunicação para defender aquilo em que acredita. Talvez essa seja sua maior evolução.

A menina que um dia convidava crianças para embarcar em uma nave imaginária continua falando de esperança. A diferença é que agora conversa com adultos que descobriram, ao longo da vida, o quanto esses valores continuam necessários.

Um voo que termina, mas deixa um legado

Ao final da apresentação, a nave pousou, as luzes se apagaram, mas ninguém saiu do estádio com a sensação de que assistiu apenas a um show.

O público viveu um encontro entre passado e presente, entre a infância e a vida adulta. Entre a Xuxa que marcou gerações e a mulher que, aos 63 anos, segue inspirando milhões de pessoas sem esconder quem é.

“O Último Voo da Nave” mostra que amadurecer não significa abandonar os sonhos. Significa dar um novo sentido a eles. Talvez seja justamente por isso que o espetáculo emocione tanto.

Nesta noite, a nave não levou apenas Xuxa pelos céus do estádio. Levou junto milhares de adultos que, por algumas horas, voltaram a acreditar que a fantasia ainda pode existir.

E, quando ela finalmente pousou, ficou a certeza de que algumas histórias jamais terminam. Elas apenas encontram uma nova maneira de continuar voando.

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