A história por trás da rivalidade entre Xuxa e Mara Maravilha

Mais de 40 anos depois de dividirem o espaço da programação infantil da televisão, Xuxa, 63 anos, e Mara Maravilha, 58, voltaram a protagonizar uma rivalidade pública, agora em ambiente digital. A polêmica mais recente, iniciada após Mara criticar a fase atual da antiga colega, resgatou comparações e episódios que atravessaram diversos momentos da vida das duas. Diferentemente da década de 1980, quando disputavam a audiência na TV aberta, hoje o embate envolve imagem, etarismo e legado. Para entender por que essa história rende tantos capítulos, a coluna GENTE voltou no tempo até o período em que a disputa era restrita à atenção dos baixinhos.

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Universo infantil. Em 1986, a então modelo Maria da Graça Meneghel estreou o Xou da Xuxa, na Globo. O programa, que chegou ao fim em 1992 após 2 mil edições, se tornou um dos maiores fenômenos infantis da televisão brasileira combinando brincadeiras, música, desenhos e as Paquitas. O sucesso foi tamanho, que virou a Rainha dos Baixinhos, uma referência à forma como ela se referia ao público. Cerca de um ano depois, a jovem Eliemary Silva da Silveira surge no SBT como Mara Maravilha. Exibido entre 1987 e 1994, o Show Maravilha se tornou um destaque das atrações infantis da televisão e Mara, uma das principais apresentadoras da emissora de Silvio Santos (1930-2024). 

Principais momentos de comparação. Com a ascensão de Mara, a comparação foi inevitável. Entre os principais momentos deste confronto — ainda amigável — estão os anos de maior audiência dos programas infantis, quando as duas e suas respectivas emissoras eram apresentadas como concorrentes diretas. De um lado, Xuxa com o fenômeno das Paquitas, a forte expansão internacional com o El Show de Xuxa, a marca infantil consolidada e a “nave”. Do outro, Maravilha com uma imagem mais popular e irreverente, forte identificação com o público brasileiro e com a música, que depois se estabeleceu no gospel. A disputa ganhou novos contornos com a chegada de Angélica e Eliana, formando o grupo que marcou a televisão infantil brasileira.

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O afastamento. Com o fim da era de ouro dos programas infantis, Xuxa e Mara seguiram caminhos cada vez mais distantes. Enquanto Xuxa permaneceu associada à televisão, ao cinema, à música e a grandes projetos comerciais, Mara diversificou a carreira e se aproximou do segmento gospel. A distância também ficou marcada por posicionamentos, incluindo lados opostos na política e direitos LGBTQIA+. A relação entre as duas também deixou de ter a exposição constante como nos anos 1980 e 1990, mas declarações pontuais mantiveram a percepção de que havia questões não resolvidas. Um exemplo foi uma indireta de Mara durante participação no programa de Xuxa na Record. Na ocasião, a cantora negou qualquer rivalidade e elogiou a colega, mas a expressão de Xuxa nas telas entregou outra versão. Em conversa com a coluna em maio de 2026, Mara chegou a falar em um “sentimento de injustiça” ao comentar a relação entre as duas, além de mencionar situações pessoais. “Aconteceram algumas coisas que não achei legais. Se eu era amiga dela, ela perdeu uma amiga, não ganhou uma inimiga. Mas isso não quer dizer que vou deixar de falar as verdades”, declarou na época.

Grupo de Xuxa, Angélica e Eliana. A relação entre as antigas estrelas voltou a chamar atenção em 2020, quando veio à tona a existência de um grupo de WhatsApp formado por Xuxa, Angélica e Eliana. A ausência de Mara no círculo ganhou repercussão, já que as quatro foram protagonistas da mesma geração da televisão infantil. Apesar da associação imediata com uma possível rivalidade, Angélica explicou que o grupo não havia sido criado como uma reunião das antigas apresentadoras infantis, mas a partir da amizade construída entre as três.

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Angélica, Xuxa e Mara Maravilha no desfile da escola de samba Beija-Flor em 1990 (//Reprodução)

Primeiras farpas recentes. Em 2025, ganham as primeiras alfinetadas mais recentes, quando Mara Maravilha passou a fazer comentários sobre o envelhecimento e a permanência de antigas apresentadoras na televisão, defendendo que as “coroas” deveriam abrir espaço para novas gerações. “As novas Mara Maravilhas, as novas apresentadoras que se destacaram, que são crianças, adolescentes, que estão aí na internet, elas precisam vir, e a gente tem que abrir. Por isso que sou Maravilha, né, meu amor?”, disparou a cantora durante entrevista. Mesmo sem citar Xuxa, as declarações foram interpretadas como indiretas e reacenderam uma comparação que parecia adormecida.

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Guerra nas redes em 2026. Neste ano, começou a nova escalada da troca de farpas quando Mara passou a criticar a aparência e os figurinos usados por Xuxa na turnê O Último Voo da Nave, questionando a escolha de roupas mais ousadas para a atual fase da apresentadora. Mara chegou a compartilhar um vídeo em tom provocativo sobre o assunto e, posteriormente, fez referência aos “grandes lábios” de Xuxa ao comentar a repercussão das roupas. A discussão ganhou um novo personagem quando Luiza Brunet saiu em defesa de Xuxa e criticou as declarações de Mara. Em resposta, Mara ironizou o episódio de violência doméstica sofrido por Luiza, o que provocou uma reação da modelo e levou Xuxa a pedir desculpas à ex-modelo por ela ter sido envolvida na briga.

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