“Quem pagar quanto?”. A pergunta que ajudou a transformar as Casas Bahia em um dos maiores símbolos do varejo brasileiro hoje ganha outro peso. A rede que acostumou o país a falar de preço, parcelamento e grandes ofertas enfrenta uma fase de forte reestruturação, com prejuízo bilionário, fechamento de lojas e redução de funcionários.
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No segundo trimestre deste ano, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, no oitavo trimestre consecutivo de perdas. Além disso, fechou 298 unidades e reduziu o quadro de funcionários. O movimento também reacende discussões sobre o futuro da operação. A administração avalia mudanças no modelo de negócio e admite até a possibilidade de uma nova recuperação extrajudicial ou judicial.
Diante do cenário, a empresa reduziu o tamanho da estrutura. Segundo a administração, a estratégia busca adequar a operação às condições atuais do mercado e concentrar esforços nos negócios capazes de gerar retorno.
Casas Bahia fecha lojas e corta empregos
Aproximadamente 1,9 mil pessoas foram demitidas durante o processo de reestruturação. Na última sexta-feira, 14 de agosto, o Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (SECOR) também manifestou preocupação com o fechamento repentino de unidades na região metropolitana de São Paulo.
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Em comunicado, a entidade afirmou que os funcionários foram surpreendidos pela interrupção das operações. O sindicato também informou que adotará medidas para garantir o cumprimento dos direitos trabalhistas dos empregados.
Além disso, a companhia prevê um redimensionamento dos investimentos. A prioridade deve ficar com projetos de tecnologia e logística, enquanto a operação física passa por uma redução.
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões chama atenção
Apesar do valor bilionário, a maior parte do prejuízo registrado no trimestre não representa uma saída imediata de dinheiro do caixa. Dos R$ 10,1 bilhões, R$ 9,1 bilhões correspondem a itens não recorrentes.
Os ajustes ocorreram após uma revisão das projeções de resultados futuros. Com isso, a empresa precisou reconhecer perdas relacionadas a ativos que não devem mais gerar os retornos inicialmente previstos.
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Entre esses ajustes estão baixas de imposto de renda diferido, ágio, outros ativos e despesas relacionadas ao processo de reestruturação.
Ainda assim, a situação financeira exige atenção. A dívida líquida da companhia chegou a R$ 1,2 bilhão no trimestre encerrado em junho, enquanto o patrimônio líquido ficou negativo em R$ 8,2 bilhões.
Empresa admite possibilidade de nova recuperação
Diante desse cenário, as Casas Bahia também colocaram sobre a mesa uma possibilidade que chama atenção: uma nova recuperação judicial ou extrajudicial.
A própria companhia informou que avalia medidas de reorganização formal de seus passivos e obrigações. A alternativa, portanto, aparece entre as possibilidades para reorganizar a estrutura financeira da empresa.
A varejista já passou por um processo de recuperação extrajudicial. Por isso, a possibilidade de uma nova medida desse tipo reforça a dimensão do atual processo de reestruturação.
Casas Bahia pretende operar em escala menor
A estratégia anunciada pela companhia indica uma mudança de prioridade. Em vez de buscar crescimento por meio do aumento da operação, a empresa pretende adequar seu tamanho à capacidade de gerar retorno.
Nesse movimento, os canais digitais próprios ganham importância. A Casas Bahia também pretende reduzir estoques e avaliar a venda de participações em ativos para ampliar a liquidez.
A companhia afirma que o tamanho da operação deve ser consequência da capacidade de gerar retorno, especialmente diante do atual custo de capital.
Além disso, o ambiente econômico tem dificultado a atuação do varejo de bens duráveis. Segundo a empresa, o crédito caro e a pressão sobre a renda dos consumidores reduziram a capacidade de compra.
Outro obstáculo veio da redução dos limites de crédito concedidos por seguradoras aos fornecedores. Com menos crédito disponível, a Casas Bahia precisou diminuir o volume de compras e, consequentemente, passou a operar em uma escala menor.
Auditoria aponta incerteza sobre continuidade
O cenário também chamou a atenção da Ernst & Young, responsável pela auditoria das demonstrações financeiras da companhia.
A empresa de auditoria emitiu um relatório com abstenção de conclusão e apontou uma “incerteza relevante” relacionada à capacidade de continuidade operacional das Casas Bahia.
Entre os fatores destacados estão o patrimônio líquido negativo e o fato de as obrigações de curto prazo superarem os ativos disponíveis no mesmo período.
Segundo a auditoria, a companhia depende da implementação bem-sucedida de medidas operacionais e financeiras para atender às necessidades de capital de giro e cumprir suas obrigações nos vencimentos previstos.
Fluxo de caixa traz outro lado dos números
Apesar do prejuízo contábil expressivo, as Casas Bahia registraram geração de fluxo de caixa livre de R$ 798 milhões no segundo trimestre.
O dado mostra que o resultado negativo bilionário não representa, sozinho, o dinheiro que deixou o caixa da companhia no período. A maior parte da perda decorre de ajustes contábeis e revisões de ativos.
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Ainda assim, a combinação de patrimônio líquido negativo, redução da operação, demissões, fechamento de lojas e necessidade de reorganização financeira coloca a varejista diante de uma das fases mais delicadas de sua trajetória recente.
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