A campanha eleitoral começou oficialmente neste domingo, 16, com candidatos autorizados a pedir votos nas ruas e na internet, mas sem que os partidos tenham recebido um único real dos R$ 4,96 bilhões reservados pelo Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Consultado nesta manhã pelo Radar Econômico, o painel do Tribunal Superior Eleitoral não registra nenhuma data de liberação para as 30 legendas.
A diferença em relação à última eleição presidencial é expressiva. Em 16 de agosto de 2022, R$ 4,401 bilhões já haviam sido liberados pelo TSE, o equivalente a 88,7% de todo o Fundo Eleitoral daquele ano. Vinte e quatro partidos já tinham acesso aos recursos, entre eles União Brasil, PT, MDB, PSD, PP, PL, PSDB e Republicanos. O levantamento do Radar foi feito a partir das datas de liberação e dos valores oficiais divulgados pelo tribunal.
O atraso deste ano ganhou contornos políticos nos últimos dias. Uma ação apresentada pelo PT ao TSE pedia que o partido fosse considerado com 69 deputados, e não 68, na divisão da parcela do fundo calculada a partir das bancadas da Câmara. A mudança acrescentaria cerca de R$ 5 milhões aos R$ 615,4 milhões destinados à legenda. Na quinta-feira, 13, o ministro Kassio Nunes Marques votou contra o pedido e afirmou que, enquanto a controvérsia não fosse resolvida, não seria possível distribuir os 48% do fundo vinculados à representação na Câmara. Um pedido de vista da ministra Estela Aranha interrompeu o julgamento.
Diante do risco de prolongar o bloqueio em plena largada eleitoral, o PT desistiu da ação na sexta-feira, 14, e pediu ao TSE que liberasse imediatamente os recursos. A legenda manteve a posição de que teria direito ao cálculo mais favorável, mas afirmou que o recuo buscava evitar prejuízos ao processo eleitoral. Até a manhã deste domingo, porém, o painel oficial continuava sem registrar qualquer transferência do FEFC.
A maior parcela dos recursos de 2026 irá para o PL, que tem direito a R$ 881,7 milhões. O PT aparece em seguida, com R$ 615,4 milhões, e o União Brasil, com R$ 526,2 milhões. Juntos, os três concentram cerca de 40% do Fundo Eleitoral. Para receber o dinheiro, cada legenda precisa apresentar ao TSE seus critérios internos de distribuição — procedimento que os principais partidos já cumpriram.
O contraste deixa a eleição de 2026 com uma largada financeira incomum. Há quatro anos, quase nove de cada dez reais do Fundo Eleitoral já estavam liberados quando candidatos começaram oficialmente a pedir votos. Desta vez, o primeiro dia de campanha começou com R$ 4,96 bilhões disponíveis no TSE e zero registrado nas contas dos partidos.
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