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Taesa diz se preparar para o pior diante de super El Niño – 04/09/2026 – Economia

A Taesa, uma das maiores empresas de transmissão de energia do Brasil, diz estar se preparando para o pior quando o assunto é o El Niño e seus impactos no setor elétrico.

Com negócios distribuídos em todas as cinco regiões do país, a companhia fez previsões de impacto em suas concessões com base em modelos climáticos.

“O Sul é uma região em que, até novembro, nós vamos ter muitas questões de vendavais, tempestades, tornados, onde tem nossas linhas de transmissão. Outro ponto que nos impacta bastante são as regiões Norte e Nordeste com queimadas”, afirma Luis Alves, diretor técnico da Taesa. “Nós temos que estar preparados para o pior”, acrescenta.

Segundo Alves, a melhor forma de se posicionar nesse cenário é ter um plano de contingência adequado. Para isso, a companhia tem atuado em frentes diferentes para lidar com a possibilidade de eventos extremos.

No Sul, o ponto-chave é a predição. Além de contratos com empresas meteorológicas para receber informações diárias, a Taesa tem apostado na implantação de estações meteorológicas próprias para aferir a velocidade do vento e monitorar o deslocamento de tempestades.

A companhia também deslocou torres de emergência para a região Sul para facilitar a recomposição da energia em casos de queda de uma torre de transmissão.

Alvez lembra que a Taesa opera alguns ativos que completaram 25 anos e foram projetados para padrões climáticos menos extremos do que os atuais.

Já em relação às queimadas, o executivo afirma ter equipes de brigada de prontidão e câmeras de monitoramento nas linhas de transmissão que detectam princípios de incêndio.

“E neste ano nós fizemos um convênio junto aos órgãos ambientais para fazer aceiros [faixas de terra sem vegetação que ajudam a conter incêndios]. Nós estamos aplicando isso de forma inédita. Com a previsão da queimada, eu consigo deslocar equipamentos próximos às linhas de transmissão que fazem esses aceiros”, diz.

Segundo ele, todas as iniciativas adotadas nos últimos dois anos para enfrentar o super El Niño somam cerca de R$ 15 milhões.

Nesta quinta (3), a OMM (Organização Meteorológica Mundial) disse que o El Niño já está “solidamente instalado” e ganhou uma “dimensão excepcional”. O pico, segundo o órgão das Nações Unidas, deve ocorrer no fim deste ano.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez alerta similar ao dizer que o mundo entrou em uma “zona de perigo de eventos climáticos extremos” à medida que os efeitos do El Niño começam a ser sentidos globalmente.

Rinaldo Pecchio, diretor-presidente da Taesa, reforça que o El Niño se enquadra em um contexto maior, em que fenômenos climáticos severos serão mais frequentes. Para ele, é preciso refletir sobre a viabilidade econômica de preparar todo o sistema físico para eventos extremos e entender se a sociedade está disposta a pagar por isso.

“Tem como fazer uma torre [de transmissão] que aguente ventos de 400 km/h? Tem, só que ela vai ser tão pesada, um custo e uma base tão maiores que não faz sentido”, afirma.


Raio-x | Taesa

Fundação: 2009

Composição acionária: Cemig (21,6%), ISA Investimentos (14,8%), investidores em Bolsa (63,4%)

Número de concessões: 49

Linhas de transmissão: 16,6 mil quilômetros

Receita anual (RAP): R$ 4,9 bilhões

Concorrentes: Axia, ISA Energia Brasil, Alupar

O repórter viajou a convite da Taesa

Fonte: Link da fonte

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