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O PIB brasileiro avançou 0,5% no 2º trimestre, um ritmo menor que o esperado e inferior ao anterior. A economia mostra sinais de desaceleração, com crescimento focado em poucos setores e queda na demanda doméstica. Endividamento familiar e baixa produtividade são obstáculos. A redução dos juros é um reflexo dessa perda de velocidade da atividade, e não do controle da inflação.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, um pouco acima do esperado, mas bem abaixo do 1,1% registrado nos três primeiros meses do ano. Para os otimistas profissionais, sempre prontos a divisar uma locomotiva onde há pouco mais que um carrinho de rolimã, seria outra demonstração da força da economia. Os números contam história menos animadora.
Nos doze meses terminados em junho o PIB avançou 1,9%, a menor taxa desde o início de 2021. Mais importante, o crescimento está concentrado em setores pouco ligados à demanda doméstica. Agropecuária e indústria extrativa cresceram juntas 8,8%. Todo o restante da economia avançou apenas 1,3%, ante quase 4% no final de 2024.
A perda de fôlego também aparece na demanda. O consumo das famílias caiu 0,4% no trimestre, apesar dos estímulos fiscais e creditícios distribuídos pelo governo em ano eleitoral. O investimento cresceu 1,2% no trimestre, mas, medido em doze meses, ficou estagnado. Já o consumo do governo, previsivelmente o componente menos tímido da família, mantém expansão mais forte.
É notável que nem a ampliação do crédito tenha reanimado o consumo. A explicação provável está no endividamento das famílias e no peso do serviço da dívida sobre a renda disponível. Crédito novo, nessas circunstâncias, serve menos para comprar e mais para impedir que os pratos já em movimento caiam no chão.
“A queda dos juros deve continuar. Não porque a inflação foi domada, mas porque a atividade perdeu velocidade”
O setor externo até que ajudou nos últimos doze meses, apesar da turbulência internacional. As exportações líquidas, a preços constantes, passaram de 13,5 bilhões de reais para 140,8 bilhões de reais. Com a demanda doméstica parada, parte relevante do avanço trimestral parece ter vindo dos estoques, contribuição que dificilmente se repete sem limite.
O problema não é apenas cíclico. População, bônus demográfico e produtividade acrescentam, juntos, somente 1,1% a 1,2% ao ano à capacidade de expansão da economia. O restante do crescimento recente veio da queda do desemprego e do aumento das horas trabalhadas por empregado. Ambos ajudam, mas nenhum pode avançar indefinidamente: a taxa de desemprego não chega a zero e o dia, apesar das melhores intenções do governo, continua tendo apenas 24 horas.
A raiz da limitação é a produtividade, que cresceu 0,4% ao ano e meros 0,2% ao ano desde 2012. Não surpreende. A taxa de investimento está em torno de 16% do PIB, muito abaixo do necessário para sustentar expansão robusta. A poupança também permanece baixa. Privilegiamos o consumo, particularmente o público, e depois demonstramos espanto quando a capacidade de produzir não acompanha nossos desejos.
O carregamento estatístico já garante crescimento de 1,8% neste ano. Com alguma expansão no segundo semestre, o PIB deve aumentar cerca de 2% em 2026. Parece razoável, mas ainda supera nossa estimativa de crescimento potencial. A desaceleração deverá ser insuficiente para abrir um hiato negativo e produzir desinflação mais rápida.
O Banco Central deve continuar reduzindo os juros, como já sinalizou. Não porque a inflação esteja domada, mas porque a atividade perdeu velocidade.
A realidade, depois de bater à porta por alguns trimestres, resolveu aumentar o volume. Ninguém em Brasília parece estar disposto a atendê-la, mas nem por isso ela irá embora.
Publicado em VEJA de 4 de setembro de 2026, edição nº 3011
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