“Olá”, escreveu no X na terça-feira (1) John Ternus, novo presidente-executivo da Apple, marcando sua estreia na rede social e sua primeira manifestação pública como CEO. As respostas à publicação de uma única palavra foram amplamente positivas. Na sexta-feira (4), Ternus já havia conquistado quase 1 milhão de seguidores.
A mensagem breve combina com o engenheiro de hardware de 51 anos e veterano da Apple que chegou ao topo do mundo corporativo americano sem construir uma grande exposição pública e que é conhecido dentro da empresa por ser altamente competente, mas pouco afeito a chamar atenção.
“Desde os primeiros dias, era muito evidente que John era extremamente talentoso”, diz Wendell Weeks, presidente-executivo da Corning, fornecedora de longa data de vidro para a Apple, que começou a trabalhar com Ternus durante o desenvolvimento do iPad, quase duas décadas atrás.
Weeks descreve Ternus como um “cara humilde e gente boa”, mas acrescenta que um hobby seu dar uma pista sobre outro lado de sua personalidade.
“Não há muitos que não sejam apaixonados por dirigir carros de corrida… mas, ao mesmo tempo, você precisa ser calmamente implacável e realmente dedicado à excelência se for bom nisso. E John é bom nisso.”
Essa reserva e tranquilidade serão úteis para Ternus enquanto ele encerra os 15 anos de Tim Cook no comando da Apple. A empresa agora vale US$ 4,7 trilhões (R$ 24,1 trilhões) e sua cadeia de suprimentos está no centro das tensões geopolíticas.
Embora a ação tenha subido 18% neste ano, em parte graças à decisão da Apple de ficar de fora da cara corrida para construir infraestrutura de IA (inteligência artificial), o crescimento das vendas de produtos desacelerou e investidores cobram novos dispositivos capazes de empolgar o mercado.
Dada a dimensão e a complexidade de seus negócios, “a Apple de hoje é simplesmente uma fera diferente”, diz Wamsi Mohan, analista sênior do Bank of America. “Abranger realmente tudo… é um trabalho muito difícil.”
Ternus pode ser praticamente desconhecido fora do fanático universo dos especialistas em Apple, mas pessoas familiarizadas com o pensamento de Cook dizem que ele vinha pensando em como executar a sucessão perfeita desde os primeiros anos no cargo, por acreditar que essa era uma das coisas mais importantes que poderia fazer pela empresa. Sua própria experiência havia sido difícil e prolongada por causa da doença de Steve Jobs.
Cook permanecerá na companhia como presidente-executivo do conselho, e a transição oficial de quatro meses como CEO envolveu Ternus acompanhá-lo discretamente em algumas aparições públicas, incluindo a reunião anual da Berkshire Hathaway.
“Provavelmente é importante para Ternus ter Cook por perto durante algum tempo… isso é o que manteve as pessoas satisfeitas”, afirma Mohan.
Embora Ternus seja o primeiro engenheiro de produto a comandar a Apple, sua carreira de 25 anos na empresa também oferece uma sensação reconfortante de continuidade. Ele pertence à geração orientada por Jobs, cofundador da companhia, e domina expressões típicas do antigo CEO, como “o Mac é a bicicleta para a mente”.
“Ele é relativamente desconhecido fora da área de hardware”, diz um ex-executivo da Apple. “Mas tudo foi conduzido com muita elegância, com Tim Cook dando ao mercado e à empresa bastante tempo para se preparar —e, se Tim diz que John é a escolha certa para CEO, poucos vão questionar isso.”
Ainda assim, para os investidores, o anúncio de um novo CEO em abril foi uma surpresa. A empresa havia feito relativamente pouco para aumentar a visibilidade de Ternus, e mesmo dentro das paredes de vidro e do ambiente reservado do Apple Park ele não é uma figura completamente conhecida.
As informações sobre sua vida fora da empresa são fragmentadas. Ele é casado, tem filhos e nasceu e cresceu na Califórnia. Colegas de escola lembram que ele era um excelente nadador. Estudou engenharia mecânica na Universidade da Pensilvânia e se formou em 1997, mesmo ano em que Elon Musk se graduou. Depois de passar por uma empresa de realidade virtual chamada Virtual Research Systems, entrou para a equipe de produtos da Apple em 2001.
“Para ser sincero, não tinha certeza de que pertencia àquele lugar”, disse ele em um discurso de formatura em 2024, ao recordar seu primeiro dia na empresa.
Ao contrário de Cook, que foi recrutado por Jobs para ocupar um importante cargo operacional, a carreira de Ternus foi marcada por uma progressão constante dentro da empresa, incluindo uma função na transição dos computadores pessoais do plástico para o metal de acabamento sofisticado e no desenvolvimento dos AirPods.
Um de seus primeiros mentores importantes foi Dan Riccio, que estruturou a equipe original de design de produtos do iPhone e posteriormente se tornou vice-presidente sênior de engenharia de hardware. Em 2021, Ternus substituiu Riccio no cargo e liderou o bem-sucedido esforço da Apple para integrar seus próprios chips aos Macs.
Relatos de que ele era cético em relação ao caro headset de realidade virtual Vision Pro da Apple, que se revelou um fracasso comercial, sugerem o instinto de um engenheiro em favor de dispositivos que as pessoas realmente queiram usar, em vez de ideias novas e arriscadas.
Mas, em sua primeira mensagem aos funcionários, ele pareceu estar plenamente consciente da necessidade de recuperar a empolgação da era de produtos focada em Jobs. Disse estar animado com os produtos “que ainda nem imaginamos, que vamos sonhar e criar juntos”.
A primeira grande aparição de Ternus como CEO da Apple ocorrerá na quarta-feira (9), quando ele subirá ao palco para comandar o lançamento anual do iPhone. A expectativa é que apresente o primeiro iPhone dobrável.
Até lá, a empresa comemora o que parece ser uma transição tranquila. Uma festa para Ternus no Apple Park na terça teve apresentação do diretor criativo da Apple Music, Zane Lowe. Mas nem todos compareceram.
Um funcionário disse que já estava tão acostumado à mudança de CEO que não sentiu necessidade de participar.
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