CEO do iFood acusa Keeta de oferta predatória – 19/09/2026 – Painel S.A.

O CEO do iFood, Diego Barreto, tem se incomodado com a atuação da Keeta no Brasil. Para ele, a oferta da rival de origem chinesa, que tem investido em cupons para ganhar clientela, tem causado distorções no mercado de delivery.

“O mercado de entregas vai crescer porque existe demanda. Não é simplesmente porque alguém vem e coloca R$ 1 bilhão em cupom. O que eu acho ruim é essa estratégia de preço predatório. Isso [o que a Keeta oferece] não é cupom, é uma ação indiscriminada para tentar forçar um movimento que não tem base econômica”, afirma Barreto à coluna.

A Keeta responde que o iFood usa de “uma estratégia clara” para manter sua “posição dominante no setor, atacando uma empresa entrante que se propõe a fomentar um mercado competitivo em benefício de todo o ecossistema de entrega de comida: restaurantes, entregadores parceiros e consumidores”.

A plataforma diz que o iFood tenta “impedir a concorrência” e que isso “mantém o mercado local refém de um serviço mais caro e de menor qualidade.”

Barreto afirma que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) deve agir para coibir a atuação da concorrente. Em agosto, a empresa, líder no mercado de entregas de comida no país, denunciou a Keeta por “práticas predatórias” no mercado brasileiro e pediu uma “intervenção imediata” à empresa. Na ação, o iFood diz que os cupons da rival fazem os restaurantes investirem em capacidade para “atender a uma demanda em parte artificial”.

“Isso é o que a gente chama de preço predatório. O Cade já está olhando para isso. Em todos os lugares que a Keeta passou pelo mundo, o Cade de cada local reagiu contra isso e criou orientações para coibir essa prática. É o que vai acontecer no Brasil invariavelmente”.

Recentemente, o iFood anunciou um investimento de R$ 24 bilhões no Brasil para o ciclo entre abril de 2026 e março de 2027. Barreto diz que o foco da empresa é investir em projetos de inteligência artificial e na expansão de categorias disponíveis na ferramenta.

“Boa parte desse investimento vai para a consolidação do crescimento [das categorias] de mercado e farmácia e de uma aceleração muito forte em pet shop, presenteáveis, bebidas e conveniência. As expectativas são muito positivas”, afirma ele.

Barreto também disse que a empresa não pensou em colocar um pé no freio nos aportes feitos para a operação no país. “Apesar das questões macro e microeconômicas do Brasil, eu [o iFood] estou num outro momento, estou num contraciclo.”


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