Quanto maior a oscilação no mercado, maior a dificuldade de manter a disciplina nos investimentos. No entanto, são momentos de maior volatilidade que podem trazer distorções de preços no mercado, abrindo oportunidades para o investidor que pensa no longo prazo. Nos Fundos Imobiliários (FIIs), acontece da mesma forma, como ressalta Rodrigo Cardoso, sócio-fundador do Clube FII, em vídeo divulgado no canal do YouTube.
“Oportunidades raramente chegam acompanhadas de tranquilidade. Se tudo estiver resolvido, se os juros já estiverem caídos e se ninguém tiver medo, obviamente o preço já vai estar em outro patamar”, destaca.
Decisões durante períodos de volatilidade
A reação do investidor aos períodos de oscilação pode comprometer a disciplina anterior. Quando o preço da cota sofre alterações de forma rápida, o investidor, com medo de perder dinheiro, pode tomar decisões emocionais, não baseadas nos fundamentos dos ativos. “Esse é um dos maiores riscos desses períodos. Não necessariamente a volatilidade em si, mas o que ela faz com o nosso comportamento”, ressalta Cardoso.
No entanto, se o investidor consegue atravessar esses momentos com disciplina e foco no longo prazo, pode transformar a volatilidade em uma aliada. “Não porque toda a queda seja uma oportunidade. Há fundos que caem porque a tese realmente piorou, porque houve aumento de vacância, deterioração de crédito ou problemas sérios de gestão. A questão é diferenciar queda de preço de queda de valor”, detalha.
O que mudou nos fundamentos? O que eu consigo comprar agora?
Em momentos de alta volatilidade, o ideal não é perguntar por que a carteira de investimentos caiu, mas o que mudou nos fundamentos dos ativos e o que é possível adquirir naquele momento com o valor destinado ao próximo aporte, orienta o sócio-fundador do Clube FII.
Fatores como mudanças nos imóveis, nos aluguéis, rompimentos de contratos e aumento na taxa de vacância são indicativos de que os fundamentos podem ter se deteriorado. No entanto, se esse não for o caso, pode ocorrer somente uma alteração no preço que o mercado está disposto a pagar naquele momento.
“Se os fundamentos pioraram, é necessário rever a posição. Mas, se não pioraram, que é o que geralmente acontece, e o preço só caiu na tela, a gente pode estar diante de uma boa oportunidade de acumular mais cotas com menos recurso”, destaca. Ter paciência ao investir não significa ficar “parado”, mas “separar preço de valor e continuar tomando decisões racionais quando o ambiente ficou emocional”.
Um estudo da Vanguard citado por Cardoso aponta que, para os investidores que já possuem recursos disponíveis para alocação, aportar de uma vez é uma estratégia mais favorável do que parcelar a entrada. Já o estudo Mind The Gap US 2026, da Morningstar, mostrou que os fundos e ETFs analisados renderam 9,9% ao ano nos 10 anos encerrados em 2025, enquanto o dólar médio investido ganhou 8,7% ao ano. “A diferença veio do aumento e da intensidade das compras e vendas. Ou seja, quanto maior a oscilação, maior tende a ser a dificuldade de permanecer disciplinado”.
Orientação aos investidores de FIIs
Segundo Cardoso, o investidor se sente seguro quando todos os ativos estão subindo, mas a estratégia de comprar depois da alta e vender depois da baixa resulta em preços menos atrativos para os aportes e mudanças no portfólio.
Cardoso lembra que, quando fundou o Clube FII em 2015, o Brasil passava por uma recessão. “Naquele momento, havia inúmeros motivos para você ficar fora do mercado. Hoje, a gente sabe que os anos seguintes foram muito bons para os fundos imobiliários. Os FIIs tiveram a maior alta do IFIX da história entre 2015 e 2019”, ressalta.
Por isso, a orientação é aportar de forma consistente, com horizonte de longo prazo e escolhendo bons ativos. “Assim, a volatilidade deixa de ser apenas algo a suportar. Em determinados momentos, ela permite acumular mais patrimônio com menos recurso”.
*Matéria publicada originalmente em ClubeFII, parceiro de B3 Bora Investir
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